MEIO no MEIO


Espetáculos de marionetas nacionais e internacionais, percursos pelo território, residências artísticas e oficinas, uma parte da programação escolhida por Visionários (espectadores—programadores): é de tudo isto e muito mais que se fará o Manobras – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

A 3ª edição acontece de 13 setembro a 31 outubro em 10 municípios associados da Artemtede: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Pombal, Sobral de Monte Agraço e Tomar.

O programa será anunciado em agosto. A imagem desta edição é da autoria da ilustradora Carolina Celas.

O Manobras é uma organização da Artemrede em parceria com os seus municípios associados e com o cofinanciamento do programa Centro 2020.

O novo número do Jornal da Artemrede está impresso e pronto a ser distribuído nos equipamentos culturais dos 16 municípios da rede. A versão online pode ler-se aqui.

Focado no primeiro semestre de 2019, este número faz o ponto da situação dos vários projetos da Artemrede, que se desenvolvem tendo como pano de fundo o Plano Estratégico e Operacional 2015-2020.

O projeto euro-mediterrânico RESHAPE pretende moldar o futuro do setor artístico através da criação de modelos de organização alternativos. A coordenadora Milica Ilic, quando entrevistada, foi perentória sobre o futuro do setor: “Percebemos muito rapidamente que, embora oriundos de contextos muito diferentes, partilhávamos a sensação de viver e de trabalhar num sistema cada vez mais disfuncional. Deparamo-nos então com uma escolha radical: ou continuamos na mesma – e arriscamos a desintegração – ou tomamos as rédeas da mudança, garantindo que as transformações estão em linha com os nossos termos e valores.” 

O programa PARTIS III, da Fundação Calouste Gulbenkian, apoia o novo projeto da Artemrede para a inclusão social através de práticas artísticas. Meio no Meio avança já com um ambicioso plano de formação em 5 áreas distintas (dança, teatro, música hip hop, cinema e artes visuais) em 4 municípios associados (Almada, Barreiro, Moita e Lisboa), sob a direção artística de Victor Hugo Pontes. 

Desafiados a expressarem-se sobre a sua experiência enquanto espectadores-programadores, os Visionários posaram para a capa do Jornal. Nos últimos meses, os grupos de Visionários de 9 municípios selecionaram uma parte da programação em rede deste ano. Participaram também no processo de programação do Manobras — Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, cuja 3ª edição se inicia a 13 de setembro. E, por fim, debruçaram-se sobre a escolha de um espetáculo a apresentar no âmbito do Dia Europeu do Espectador (16 de novembro) nos três municípios que participam no projeto Be SpectACTive! (Pombal, Lisboa e Sesimbra).

O 3º Fórum Político teve como tema as redes culturais e os modelos de cooperação para o desenvolvimento dos territórios. Dele saíram uma série de reflexões e propostas a partilhar publicamente e a apresentar às entidades com poder de decisão nesta matéria.

Todas estas atividades acontecem num contexto de expansão da Artemrede, que acolhe dois novos associados: o município de Montemor-o-Novo e a associação Acesso Cultura.

 

Créditos foto: José Caldeira

Lisboa e Palmela estão na rota das atividades públicas da Artemrede para o mês de junho.

Depois das sessões no Palácio Galveias e na Biblioteca Camões no mês de maio, a oficina Era uma vez um esponja do mar... Histórias do início da Vida continua o seu périplo pela capital. Dia 15 de junho, às 10h30, é a vez da Biblioteca de Marvila receber mais uma sessão desta oficina orientada por Margarida Botelho. A partir do livro A vida na Terra, de David Attenborough, reflete-se sobre a evolução da vida no planeta e sobre as problemáticas ambientais dos nossos dias: criar, agir e materializar soluções, que serão ilustradas e compiladas num livro.

O espetáculo O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Esplendor, chega ao Auditório do Pinhal Novo, em Palmela, dia 22, às 21h30. Um solo para o ator André Louro, a partir da obra do poeta Luiz Pacheco.

Rossio, Santa Apolónia, Alcântara-Terra e Cais do Sodré são As 4 Estações d’O GAJO, o disco que serve de base a um concerto d’O GAJO agendado para dia 29, às 21h30, na Quinta do Anjo — Clube Portais da arrábida (Palmela).

Junho na Artemrede é também o mês do curso de Gestão de Projetos Culturais, destinado exclusivamente aos técnicos dos municípios associados.

Por fim, no dia 20 terá lugar uma partilha interna dos trabalhos desenvolvidos durante a fase de pesquisa da formação de Teatro, da dupla Barreiro/Moita, do projeto Meio no Meio.


Imagem O GAJO© Vera Marmelo 

 

Milica Ilic é consultora internacional do Office National de Diffusion Artistique (O.N.D.A.) e coordenadora do projeto RESHAPE, do qual a Artemrede é parceira. Entrevistámo-la para o Jornal da Artemrede no rescaldo do RESHAPE Forum, em Lublin, onde se reuniram cerca de 80 profissionais para o lançamento do projeto que pretende moldar novas formas de trabalhar para o setor artístico.

O elevado número de candidaturas recebidas aquando da convocatória parece indicar um grande interesse do setor pela criação de novos modelos de trabalho. Por que motivo é urgente delinear os futuros contornos do setor? 

O projeto RESHAPE nasceu da necessidade de repensar as práticas do setor artístico à luz das mudanças radicais que as nossas sociedades vivem. Antes de lançar o projeto, os vários parceiros já tinham reuniões em que discutiam desafios e interesses comuns. Enquanto organizações de apoio às artes tínhamos uma visão geral das evoluções que ocorriam nos nossos contextos, mas sentíamos que precisávamos de espaço para discutir essas mudanças numa escala maior. Percebemos muito rapidamente que, embora oriundos de contextos muito diferentes, partilhávamos a sensação de viver e de trabalhar num sistema cada vez mais disfuncional.

Deparamo-nos então com uma escolha radical: ou continuamos na mesma – e arriscamos a desintegração – ou tomamos as rédeas da mudança, garantindo que as transformações estão em linha com os nossos termos e valores. O número de candidaturas que recebemos na convocatória não é apenas um sinal de que esta visão é partilhada por muitos outros profissionais. Acreditávamos, e isso veio a comprovar-se, que já existiam muitas práticas experimentais a decorrer, mas numa escala local, com poucos recursos e fora do radar. Queríamos conectar e apoiar essas iniciativas, que são tão pouco visíveis. Elas são sementes de possíveis evoluções.

Como evoluiu a sua perceção sobre o projeto desde a fase de candidatura ao programa Europa Criativa até agora?

RESHAPE é o resultado de anos de discussões com colegas de organizações de apoio às artes. Inicialmente, o objetivo não era criar um projeto, mas ele acabou por surgir de forma orgânica. O cofinanciamento do programa Europa Criativa foi um impulso tremendo. Deu-nos espaço para pesquisar e experimentar, o que não teria sido possível no nosso trabalho quotidiano, que se orienta sobretudo pela lógica das políticas culturais dos Estados—Nação, obrigando-nos a um foco nos nossos próprios territórios. É agora claro que temos entre mãos algo ainda mais rico e dinâmico do que pensávamos. Mas também há muito a fazer. Temos de estar conscientes dos desequilíbrios radicais que existem no nosso espaço cultural comum. Na Europa e no sul do Mediterrâneo esses desequilíbrios estão tão enraizados que, às vezes, parecem intransponíveis. Há muito a fazer para que possamos compreender verdadeiramente o quão diferentes podem ser os nossos contextos. Há também uma confiança a ser construída, alianças a serem feitas em todo o setor artístico (entre instituições, públicos e artistas) e com outros setores cujo trabalho assenta em valores humanistas.

Para além de ser um projeto amplamente assente num processo aberto, quais são os maiores desafios do RESHAPE?

Há muitos desafios. Nós, parceiros, estamos convencidos de que a Europa e o Sul do Mediterrâneo constituem o nosso espaço cultural, político e social comum. Mas esse espaço não é neutro e as relações complexas que o tecem acentuam-se devido aos desequilíbrios económicos, ao passado colonial, aos preconceitos e à incompreensão das evoluções estéticas, políticas e sociais que moldam a realidade do setor artístico em diferentes regiões e países. Como imaginar modelos e práticas que levem em conta essas realidades tão diferentes? Como chegar a um acordo sobre soluções comuns, sabendo que alguns dos temas cruciais — diversidade cultural, direito à expressão artística, mobilidade artística – têm contornos tão diferentes, dependendo se os abordamos nos Balcãs, na Europa Ocidental ou no mundo Árabe?

Além disso, nós, os parceiros, temos de nos comprometer a mudar as nossas próprias práticas. Isso significa que, mais do que proporcionar um espaço para que mentes criativas repensem os nossos modelos organizacionais, temos de fazer um exercício crítico de introspeção e começar, nós mesmos, a mudar. Isto é tão enriquecedor como entusiasmante, mas também pode ser perturbador e doloroso. Ou extremamente difícil em estruturas grandes e complexas. Por fim, qualquer projeto com a ambição de repensar o ecossistema das artes tem de sair da bolha na qual se encontra por vezes enclausurado. O RESHAPE terá que chegar aos profissionais, às redes e iniciativas que não são os nossos aliados tradicionais, que não falam o nosso jargão e cujos instrumentos e métodos podem ser muito diferentes dos nossos. Teremos de aprender a abrir-nos enquanto setor e a fazer alianças novas e construtivas.

A Artemrede vai acolher um workshop da Trajetória 3, dedicada ao valor da arte no tecido social. Ora, o valor da arte tende a reduzir-se a resultados tangíveis ou a produtos. O que se pode fazer para aumentar a influência dos artistas e das suas obras nos vários contextos locais e ajudar a criar um valor intangível para as sociedades?

Mal começámos, por isso não sei que tópicos é que os Reshapers vão destacar dentro dessa trajetória. Mas poder repensar radicalmente a questão e sugerir novos argumentos assentes em pressupostos artísticos sobre o que é verdadeiramente o valor acrescentado na sociedade é algo que me interessa especialmente. Temos uma noção demasiado estreita de valor. Uma noção que se centra em números, que é corroborada por estudos de impacto e que tem muito pouco a ver com a arte. Talvez parte da solução passe por não colocar as artes em caixas pré-definidas que se enquadram em práticas menos elusivas. Talvez seja também necessário reafirmar tudo aquilo que não pode constituir objeto de concessões e aprender a conhecer melhor — antes de encontrar palavras para descrever — as mudanças intangíveis que os indivíduos e as comunidades experimentam quando interagem com os artistas e o trabalho artístico.


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RESHAPE conta com o apoio do programa Europa Criativa.

 

É um Pintor que se dedica à partilha e comunicação com o Outro, daí que a sua intervenção se estenda à mediação cultural (museus, bibliotecas públicas e escolares, bairros problemáticos e estabelecimentos prisionais, ruas e praças). Horta é ainda autor/ilustrador de literatura infantojuvenil (Pinok e Baleote- PNL, Dacoli e Dacolá-PNL e Rimas Salgadas - PNL). Escreveu a peça Retratinho de Amílcar Cabral (Teatro Mosca) e Logo à noite no lago Van (CAM/Fundação Calouste Gulbenkian). Com Aldara Bizarro construiu o espetáculo Baleizão, o valor da memória (em circulação). Contador de histórias, intervindo em contextos muito variados, frequentemente de exclusão, narrando com regularidade nas Palavras Andarilhas. Apresentou, recentemente, o espetáculo de narração oral Arribalé! (residência artística no O Espaço do Tempo). Formador na área da mediação leitora e mediação junto de necessidades educativas especiais. Integrou o projeto 10x10 do Programa Descobrir/ Fundação Calouste Gulbenkian, onde exerce com regularidade a sua atividade de mediador de museu nos diferentes núcleos museológicos. Em 2012 expôs “Troncos e marés” na Galeria Appleton Square (2012). Representado em diversas coleções de arte contemporânea, nomeadamente na coleção moderna do Museu Gulbenkian. Em outubro deste ano apresentou em conjunto com o A. E. S. Gonçalo (Torres Vedras) o projeto/laboratório Dilfícil Leitura, mediação leitora inclusiva, no Folio/Educa (Óbidos).

 

 

 

 

O 3º Fórum Político da Artemrede, organizado em Pombal, reuniu cerca de 40 autarcas de várias regiões do país e outros decisores políticos para discutir o tema Redes Culturais: modelos de cooperação para o desenvolvimento dos territórios.

Divididos em quatro grupos de trabalho, os participantes aceitaram o desafio de debater vários temas propostos pela Artemrede. Apesar das diferenças entre os intervenientes, de experiências e de campos políticos, foi possível identificar alguns pontos de convergência sobre a importância e o impacto das redes culturais no desenvolvimento dos territórios. À semelhança do que aconteceu nos fóruns políticos anteriores, as conclusões deste encontro serão compiladas numa brochura, a lançar pela Artemrede e a apresentar às entidades com responsabilidades na matéria.

Segundo a Diretora Executiva da Artemrede Marta Martins, o Fórum Político "levantou várias questões relevantes que sublinharam a necessidade de uma maior cooperação entre Governo e Autarquias. São estas últimas que melhor conhecem os territórios e devem, por isso, ter a oportunidade de participar no processo de identificação de prioridades de investimento e na definição de formatos de aplicação desse mesmo investimento."

Os autarcas presentes afirmaram a importância de existir, em cada autarquia, "um plano estratégico para a cultura que esteja articulado com outras áreas, como a Educação, e que tenha em conta alguns indicadores definidos a nível nacional. Há também um reconhecimento de que é necessário apostar na qualificação e renovação dos recursos humanos dos municípios na área da cultura, pois só assim se conseguem equipas competentes, motivadas e com capacidade de inovar", continua Marta Martins.

Nos debates foi consensual a perceção de que as redes culturais mais frutuosas - e com maior potencial de sucesso - são modelos orgânicos, assentes em relações e interesses comuns. Pelo contrário, "redes que se baseiem em infraestruturas ou numa excessiva sectorialização são propostas anacrónicas e inadequadas aos modelos atuais de produção e programação das artes contemporâneas. A própria Artemrede evoluiu de uma rede de teatros para uma rede de cidades, abraçou um processo de reposicionamento estratégico, pelo que não encontra eco num projeto que assenta nas infraestruturas, como o que está atualmente em discussão na Assembleia da República para a criação da rede nacional de teatros". 

Quanto à questão da sustentabilidade, as redes culturais devem beneficiar de apoio financeiro para o seu funcionamento, através do Ministério da Cultura, do Ministério do Planeamento ou de outras áreas governativas, assim como no contexto do quadro financeiro Portugal 2030, dotando-as de recursos e meios eficazes para promover a democracia cultural em todo o território nacional.


Leia aqui o artigo de opinião de Catarina Vaz Pinto e Marta Martins no jornal Público, escrito na sequência do 3º Fórum Político.

Pode dizer-se que é um dos escritores mais importantes do séc. XX, grande estilista da literatura portuguesa, um dos espíritos mais irreverentes e um dos últimos dinossauros de um certo tipo de escribas que foram a alma de um mundo em vias de acelerada desumanização. Escritor, tradutor, epistológrafo, critico literário, polemista e editor.

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