Entrevistas

MANUEL VEIGA


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Manuel Veiga integrou, há 11 anos atrás, a equipa de consultores responsável pelo estudo sobre a criação de uma rede de cineteatros na região de Lisboa e Vale do Tejo, encomendado pela Comissão de Coordenação do Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, e que deu origem à Artemrede. Hoje é Diretor Municipal de Cultura do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, município que aderiu à Artemrede no início de 2016 e que, com esta adesão, procura sobretudo intensificar as relações com outros municípios através de projetos comuns e contaminações recíprocas. 

  • O Manuel Veiga participou, há 11 anos atrás, no processo de criação da Artemrede. Que memórias guarda desses tempos e de que forma vê o progresso da associação? Como é que descreveria hoje a Artemrede a alguém que não conhece o projeto? 

Foi um trabalho muito intenso e interessante acompanhar a primeira fase da Artemrede. Fiquei a conhecer os cineteatros que existiam na região de Lisboa e Vale do Tejo porque percorri toda essa região e visitei equipamentos com características muito distintas, tanto ao nível técnico como ao nível dos recursos humanos. Recolhemos informação para conseguirmos identificar a oferta cultural que existia neste território e, seguidamente, lançarmos a primeira programação da Artemrede, que estava inicialmente muito focada nos cineteatros. Hoje é com muito gosto que observo a evolução da Artemrede para outras áreas que vão para além dos espaços dos cineteatros, como a requalificação dos próprios recursos técnicos e humanos dos municípios. Artemrede cresceu de uma forma sustentada e hoje em dia já não é uma rede de cineteatros, mas sim uma rede de municípios que tem várias valências e que pode ser um verdadeiro instrumento de desenvolvimento cultural dos territórios.

  • Que razões levaram a CML a aderir à Artemrede e que tipo de projetos gostariam de desenvolver no âmbito da rede?

É muito importante para nós participar numa rede de cooperação ao nível institucional, pois sabemos que Lisboa não se esgota nas suas fronteiras, a área metropolitana de Lisboa move muitas pessoas que vêm consumir e oferecer cultura. Nunca estivemos fechados nem na cidade nem no concelho de Lisboa, mas através da Artemrede vamos poder trabalhar de outra forma com um conjunto de municípios, criar sinergias, retirar vantagens para ambos. Com a Artemrede estamos a institucionalizar algo que já acontece, mas ao mesmo tempo vamos participar noutro tipos de projetos em áreas como a formação, a qualificação dos nossos técnicos, ou os projetos com as comunidades locais. A Câmara Municipal de Lisboa vai articular com a Artemrede através da Direção Municipal de Cultural (DMC) , um dos principais braços do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa. Na DMC não temos espaços convencionais de apresentação de espetáculos, temos uma rede de bibliotecas, arquivos, investigação, mas ao nível da programação artística vai ser um desafio para a Artemrede, pois queremos receber projetos artísticos em espaços não convencionais de apresentação, mais próximos das comunidades.
 

  • Os projetos a desenvolver com a Artemrede podem ser uma forma de aproximação a comunidades que também estão ausentes dos próprios espaços convencionais, como um teatro ou uma sala de cinema?

Nós gerimos a rede de bibliotecas e arquivos municipais, capacitamos os agentes culturais, damos apoios financeiros e não financeiros. Como exemplo perfeito disso abrimos recentemente o Espaço das Gaivotas, onde criámos um gabinete de apoio ao agente cultural, trabalhamos na mediação, colocando os agentes culturais em contacto uns com os outros e temos uma ligação muito forte à academia e à investigação. Para além disso, queremos muito trabalhar com as comunidades, com os direitos sociais, com a educação, com os serviços educativos, é este o trabalho que nos interessa desenvolver e que faz todo o sentido no âmbito da Artemrede. 

  • Quais são as principais vantagens para a Artemrede de ter agora um Município na rede como Lisboa? 

Lisboa vem, sem dúvida, dar escala à Artemrede e pode trazer muitos benefícios até ao nível mais operacional e instrumental, como nos projetos internacionais. Estamos também a desenvolver um programa de cidade-piloto para a implementação da Agenda 21 para a Cultura, um compromisso que também está consignado no Plano Estratégico da Artemrede, e do qual podem resultar sinergias, de que todos os municípios e a rede podem beneficiar.

  • Em que é que vai consistir o programa cidade-piloto da Agenda 21 da Cultura? Vão ser aplicadas medidas concretas ao nível local?

Este programa vai desenvolver-se ao longo do próximo ano e meio com uma equipa de peritos da organização mundial União das Cidades e Governos Locais, que vai acompanhar e ajudar a desenvolver o programa. A ideia é identificarmos os nossos pontos fortes e fracos quando olhamos para os compromissos assumidos pela Agenda 21 da Cultura, através de um documento de autoavaliação que nos foi facilitado pela instituição. Vamos analisar o que Lisboa já faz em termos de metas e compromissos em relação à Agenda 21 da Cultura, e vamos tentar aplicar este documento na sua totalidade, de forma faseada. É um trabalho que estamos a fazer em paralelo com um novo processo de reflexão sobre as Estratégias Culturais de Lisboa, que no fundo é uma atualização de um programa estratégico realizado em 2009, e que terá também como preocupação a incorporação dos valores da Agenda 21 da Cultura, que coloca a cultura como quarto pilar para o desenvolvimento sustentável.

  • E que outros efeitos poderá ter esta discussão no plano municipal?

É imperativo reforçar este posicionamento da cultura como central no desenvolvimento de políticas ao nível municipal. É urgente que as pessoas percebam o poder transformador da cultura porque a cultura permite dar um salto qualitativo quando está em diálogo com outras áreas. Por isso o grande desafio, no âmbito da CML, é o trabalho com áreas adjacentes, um trabalho em rede dentro da própria câmara com outros pelouros, e externamente, com outras instituições semelhantes e com todo o tipo de entidades que possam fortalecer esta visão da cultura como um poder transformador. Hoje em dia o mundo funciona assim, não há nada que seja estanque, as fronteiras são fluídas e dinâmicas

  • Mencionou também que estão a desenvolver novas Estratégias Culturais para Lisboa. Pode dar-nos uma ideia do que serão estas novas estratégias que estão a ser pensadas para Lisboa?

Estamos a lançar um novo exercício de planeamento estratégico em Lisboa, o último tinha sido feito em 2009 e, entretanto, a cidade sofreu muitas transformações. Um dos fenómenos mais importantes para a nossa cidade tem sido o turismo, que tem reflexos muito evidentes na área cultural. Estamos à procura de respostas, a pensar no que mudou, como mudou e como vamos adaptar-nos. Conseguimos implementar muitas medidas e projetos que definimos em 2009 e chegou agora o momento de repensar os nossos objetivos e responder aos novos desafios deste novo mundo. Desta nova estratégia faz também sem dúvida parte a adesão a redes como a Artemrede, que é no fundo assumir Lisboa como uma cidade que diariamente sai das suas fronteiras. Temos também como objetivo a internacionalização da cidade pois queremos posicionar a cidade como uma cidade acolhedora, que está voltada para fora. Nesse sentido, vamos aproveitar a nomeação de Lisboa como Capital Ibero-Americana em 2017 para lançar esta visão de uma Lisboa em diálogo permanente com outras culturas.

  • Que projeção internacional pode um evento desta natureza dar a Lisboa? O que vai realmente acontecer?

Esperamos conseguir apresentar já em junho deste ano uma programação para a Lisboa – Capital Ibero-Americana em 2017. Vamos convocar toda a cidade para esta celebração, para além dos serviços e equipamentos municipais. Queremos que este evento deixe marcas e que não seja apenas passageiro, não só para Lisboa, mantendo a partir daí uma relação com os países ibero-americanos, como também gostaríamos de conseguir dar um salto qualitativo na visibilidade que é dada à Capital Ibero-Americana, organizada pela União de Cidades Capitais Ibero-Americanas. Acreditamos que Lisboa pode fortalecer este evento por ser uma capital com condições históricas e contemporâneas para tal: Lisboa é uma encruzilhada de culturas por natureza.

Modificado emterça-feira, 27 setembro 2016 15:41

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