3º Fórum Político debateu redes culturais e territórios

O 3º Fórum Político da Artemrede, organizado em Pombal, reuniu cerca de 40 autarcas de várias regiões do país e outros decisores políticos para discutir o tema Redes Culturais: modelos de cooperação para o desenvolvimento dos territórios.

Divididos em quatro grupos de trabalho, os participantes aceitaram o desafio de debater vários temas propostos pela Artemrede. Apesar das diferenças entre os intervenientes, de experiências e de campos políticos, foi possível identificar alguns pontos de convergência sobre a importância e o impacto das redes culturais no desenvolvimento dos territórios. À semelhança do que aconteceu nos fóruns políticos anteriores, as conclusões deste encontro serão compiladas numa brochura, a lançar pela Artemrede e a apresentar às entidades com responsabilidades na matéria.

Segundo a Diretora Executiva da Artemrede Marta Martins, o Fórum Político "levantou várias questões relevantes que sublinharam a necessidade de uma maior cooperação entre Governo e Autarquias. São estas últimas que melhor conhecem os territórios e devem, por isso, ter a oportunidade de participar no processo de identificação de prioridades de investimento e na definição de formatos de aplicação desse mesmo investimento."

Os autarcas presentes afirmaram a importância de existir, em cada autarquia, "um plano estratégico para a cultura que esteja articulado com outras áreas, como a Educação, e que tenha em conta alguns indicadores definidos a nível nacional. Há também um reconhecimento de que é necessário apostar na qualificação e renovação dos recursos humanos dos municípios na área da cultura, pois só assim se conseguem equipas competentes, motivadas e com capacidade de inovar", continua Marta Martins.

Nos debates foi consensual a perceção de que as redes culturais mais frutuosas - e com maior potencial de sucesso - são modelos orgânicos, assentes em relações e interesses comuns. Pelo contrário, "redes que se baseiem em infraestruturas ou numa excessiva sectorialização são propostas anacrónicas e inadequadas aos modelos atuais de produção e programação das artes contemporâneas. A própria Artemrede evoluiu de uma rede de teatros para uma rede de cidades, abraçou um processo de reposicionamento estratégico, pelo que não encontra eco num projeto que assenta nas infraestruturas, como o que está atualmente em discussão na Assembleia da República para a criação da rede nacional de teatros". 

Quanto à questão da sustentabilidade, as redes culturais devem beneficiar de apoio financeiro para o seu funcionamento, através do Ministério da Cultura, do Ministério do Planeamento ou de outras áreas governativas, assim como no contexto do quadro financeiro Portugal 2030, dotando-as de recursos e meios eficazes para promover a democracia cultural em todo o território nacional.


Leia aqui o artigo de opinião de Catarina Vaz Pinto e Marta Martins no jornal Público, escrito na sequência do 3º Fórum Político.

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