{"id":2075,"date":"2020-10-21T12:23:12","date_gmt":"2020-10-21T12:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.artemrede.pt\/?post_type=wm_projects&#038;p=2075"},"modified":"2021-09-27T17:05:25","modified_gmt":"2021-09-27T17:05:25","slug":"mulheres-em-terra-homens-no-mar","status":"publish","type":"wm_projects","link":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/project\/mulheres-em-terra-homens-no-mar\/","title":{"rendered":"MULHERES EM TERRA, HOMENS NO MAR"},"content":{"rendered":"\n\n\t<h2>Os pescadores que andavam \u00e0 pesca do bacalhau passavam seis meses no mar. Enquanto isso, as mulheres ficavam em casa, a governar. Esta performance teve como ponto de partida a recolha de testemunhos de algumas dessas mulheres e suas fam\u00edlias, e da pesquisa feita nos acervos documentais do Museu Mar\u00edtimo de \u00cdlhavo.<\/h2>\n<hr \/>\n<p>&#8220;No final dos anos quarenta do s\u00e9culo XX, Ant\u00f3nio de Oliveira Salazar \u00e9 Presidente do Conselho de Ministros e governa Portugal, criando uma ditadura antiliberal, anticomunista, orientada segundo os princ\u00edpios conservadores autorit\u00e1rios: &#8220;Deus, P\u00e1tria e Fam\u00edlia&#8221;. \u00c9 mais ou menos nesta altura, mais precisamente entre 1947 e 1950, que a jornalista Maria Lamas, decide viajar pelo pa\u00eds, para conhecer ao vivo a situa\u00e7\u00e3o das mulheres em Portugal. Maria Lamas percorre o pa\u00eds desde Tr\u00e1s-os-Montes ao Algarve. Fala com as camponesas de Castro Laboreiro, das serras do Barroso, do Caramulo e do Lindoso, mas tamb\u00e9m com as assalariadas agr\u00edcolas do Ribatejo, do Alentejo e do Algarve. Dedica um cap\u00edtulo inteiro \u00e0 mulher do mar, mas quando Maria Lamas diz, &#8220;mulher do mar&#8221; ela n\u00e3o se refere \u00e0 esposa do pescador ou do marinheiro. Para Maria Lamas, a mulher do mar, \u00e9 toda a mulher que participa na economia do mar. Ali\u00e1s, Maria Lamas diz que estas mulheres s\u00f3 n\u00e3o embarcam porque algu\u00e9m tem de ficar a tomar conta da casa e dos filhos, e esse papel estava destinado culturalmente \u00e0s mulheres.&#8221;<\/p>\n<p>Mulheres em Terra, Homens no Mar traz para o centro do palco a voz das mulheres que nos anos quarenta, cinquenta e sessenta do s\u00e9culo XX participaram de forma direta ou indireta na economia do mar. Pescadoras, sargaceiras, peixeiras, rendeiras, oper\u00e1rias das v\u00e1rias ind\u00fastrias como as secas do bacalhau ou as conservas de peixe; as mulheres sempre estiveram ligadas ao mar.<\/p>\n\n<p>&#8211;<\/p>\n<em>Em 2018 o Museu Mar\u00edtimo de \u00cdlhavo pediu-me para criar um espect\u00e1culo que valorizasse o papel das mulheres na chamada &#8220;grande epopeia do bacalhau&#8221; ou &#8220;grande faina&#8221;. A &#8220;grande faina&#8221; corresponde ao per\u00edodo durante o Estado Novo, em que os pescadores viajavam at\u00e9 aos Bancos da Terra Nova e da Gronel\u00e2ndia para pescar bacalhau. Estas viagens duravam seis a nove meses. Os pescadores que fizessem cinco destas viagens estavam dispensados do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio e, numa fase posterior, dispensados de irem para a Guerra Colonial. Alguns homens desertavam, outros davam o salto &#8211; literalmente &#8211; do navio, mal este se aproximava da costa dos Estados Unidos.<\/em><br \/>\n<em>O Museu Mar\u00edtimo de \u00cdlhavo tinha a expectativa que eu representasse alguns epis\u00f3dios que, segundo eles, estavam associados ao papel das mulheres durante a &#8220;grande faina&#8221;, como a prepara\u00e7\u00e3o do saco, embora nem todas as mulheres tivessem a cargo esta tarefa; ou como o envio de telegramas, embora poucas mulheres enviassem telegramas porque eram muito caros e porque eram lidos &#8211; censurados &#8211; por outras pessoas. Havia ainda a expectativa que representasse a &#8220;ang\u00fastia&#8221; da espera, embora para muitas mulheres, o facto de o marido estar ausente era sin\u00f3nimo de autonomia e de liberdade.<\/em><br \/>\n<em>A pesquisa para construir este espect\u00e1culo levou-me aos acervos documentais do Museu Mar\u00edtimo de \u00cdlhavo e ao seu Centro de Investiga\u00e7\u00e3o (CIEMar) onde descobri o livro da jornalista Maria Lamas, Mulheres do Meu Pa\u00eds. Lamas escreve este livro para conhecer ao vivo a situa\u00e7\u00e3o da mulher portuguesa. Nesse livro, dedica um cap\u00edtulo inteiro \u00e0 mulher do mar. \u00c9 uma das primeiras pessoas a valorizar o papel da mulher na economia do mar afirmando que ela \u00e9 mais do que a mera esposa do pescador. Trabalhadora das v\u00e1rias ind\u00fastrias como as secas do bacalhau, as conservas, a mulher \u00e9 ainda sargaceira, peixeira, pescadora e fazedora de redes, dedicando-se a v\u00e1rias profiss\u00f5es e actividades ligadas \u00e0 pesca e ao mar. Em suma, para Lamas, esta mulher \u00e9 sobretudo uma trabalhadora. Lamas escreve o livro durante o per\u00edodo do Estado Novo, no final dos anos quarenta do s\u00e9culo XX, apresentando uma vis\u00e3o alternativa \u00e0 do regime que sonhava com fadas do lar e anjos dom\u00e9sticos.<\/em><br \/>\n<em>Para a constru\u00e7\u00e3o deste espect\u00e1culo decidi entrevistar mulheres em \u00cdlhavo, na Gafanha da Nazar\u00e9, Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o, Gafanha de Aqu\u00e9m, Peniche, S\u00e3o Bernardino, Murtosa, locais onde apresentei tamb\u00e9m o espect\u00e1culo. Estava interessada em ouvir as suas hist\u00f3rias. Ainda \u00e9 poss\u00edvel recolher testemunhos directos de mulheres que viveram nos anos quarenta, cinquenta e sessenta do s\u00e9culo passado. N\u00e3o por muito tempo. S\u00e3o testemunhos pessoais, cheios de informa\u00e7\u00e3o, que nos d\u00e3o pistas de como se organizava a vida do dia-a-dia nessa altura e quais as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia adoptadas por estas mulheres.<\/em><br \/>\n<em>Os livros de Hist\u00f3ria est\u00e3o cheios de grandes datas, acontecimentos determinantes, figuras centrais que muitas vezes ignoram as pessoas comuns que tamb\u00e9m viveram essas mesmas datas, que tamb\u00e9m foram afectadas pelos acontecimentos determinantes e marcados pelas figuras centrais da Hist\u00f3ria. Isto \u00e9 \u00f3bvio, mas muitas vezes esquecido. Embora esta pe\u00e7a n\u00e3o seja um trabalho de Hist\u00f3ria, utiliza elementos de pesquisa etnogr\u00e1fica, como base da sua constru\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Assim, pretende-se ligar a vida das mulheres que participaram na economia do mar nos anos quarenta, cinquenta e sessenta do s\u00e9culo XX ao contexto hist\u00f3rico que se vivia, compreendendo melhor as circunst\u00e2ncias das suas narrativas pessoais. N\u00e3o \u00e9 novidade para n\u00f3s que a vida, nessa altura, era muito dura, a pobreza era generalizada e estendia-se a quase toda a popula\u00e7\u00e3o, sobretudo \u00e0s mulheres, na sua maioria analfabeta. A isto acrescia o facto de estarem ainda sujeitas \u00e0 autoridade do pai, do marido, do filho, do patr\u00e3o, do padre, ou seja, dos homens. Por estas e outras raz\u00f5es, \u00e9 muito dif\u00edcil n\u00e3o heroicizar estas mulheres, cujos testemunhos s\u00e3o o elemento chave desta pe\u00e7a. H\u00e1 uma superioridade moral da pobreza \u00e0 qual a pe\u00e7a n\u00e3o consegue fugir.<\/em><br \/>\n<em>Nesta pe\u00e7a, os elementos teatrais foram reduzidos ao m\u00ednimo e optou-se por trabalhar com o formato palestra performance para valorizar os testemunhos e fugir \u00e0 tend\u00eancia de representar, folclorizar ou fixar uma identidade local. Mesmo assim, manteve-se vis\u00edvel o pr\u00f3prio processo de recolha de entrevistas numa tentativa de desnaturalizar e fugir a uma pureza moral discursiva. <\/em><br \/>\n<em>Esta pe\u00e7a &#8211; apesar de todas as suas ambi\u00e7\u00f5es &#8211; \u00e9, sobretudo, um trabalho art\u00edstico, que envolve a constru\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00f5es. Ou seja, n\u00e3o pretende contar a verdade, antes chegar a uma ideia de verdade atrav\u00e9s de um caleidosc\u00f3pio de hist\u00f3rias e do facto de que nos ligamos uns aos outros atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de narrativas, do contar de hist\u00f3rias.<\/em><br \/>\n<em>Haver\u00e1 muitas vozes em falta neste espect\u00e1culo. A maior falta ser\u00e1 a inclus\u00e3o da voz do bacalhau. Talvez noutro contexto consiga desconstruir palavras como &#8220;economia do mar&#8221;, &#8220;peixe&#8221; e devolver a esses seres (mar, bacalhau, rede) a sua humanidade e um lugar &#8211; central &#8211; na Hist\u00f3ria. Ainda podemos entrevistar bacalhaus, n\u00e3o por muito mais tempo.<\/em><br \/>\n<strong>Maria Gil<\/strong>\n<p>Nota Biogr\u00e1fica | Maria Gil (Lisboa, 1978): Licenciou-se em Teatro &#8211; Forma\u00e7\u00e3o de Actores e Encenadores na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (2003) e realizou um MPhil em Performances Autobiogr\u00e1ficas na Universidade de Glasgow na Esc\u00f3cia (2009). Cria espect\u00e1culos despojados e fundados na palavra, estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o directa e pr\u00f3xima com os espectadores; as suas dramaturgias t\u00eam como ponto de partida premissas autobiogr\u00e1ficas e hist\u00f3rias de pessoas e de lugares, que recolhe, cruza e ficciona, para construir uma po\u00e9tica do quotidiano. Os seus trabalhos evocam a periferia e a margem, mas tamb\u00e9m pessoas e lugares em desaparecimento. Colabora regularmente com criadores de v\u00e1rias \u00e1reas art\u00edsticas, nomeadamente da dan\u00e7a, da m\u00fasica, das artes visuais e do cinema. Trabalha com v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, concebendo, desenvolvendo, e realizando actividades e estrat\u00e9gias educativas que articulam a imagina\u00e7\u00e3o e o pensamento.<\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n<p>Artista: Teatro do Sil\u00eancio \/ Maria Gil<\/p>\n<p>G\u00e9nero Art\u00edstico: Teatro | Palestra Performance<\/p>\n<p>Classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria: M\/12<\/p>\nApresenta\u00e7\u00e3o em Territ\u00f3rios ARTEMREDE:<br \/>\n<strong>LISBOA\u00a0\u00a0 <\/strong>Audit\u00f3rio da Biblioteca de Marvila | 11 de dezembro de 2020, sexta-feira, \u00e0s 21:00<br \/>\n<strong>MOITA\u00a0\u00a0 <\/strong>F\u00f3rum Cultural Jos\u00e9 Manuel Figueiredo | 30 de outubro de 2021, s\u00e1bado, \u00e0s 21:30 &#8211; <strong>NOVA DATA!<\/strong>\nFICHA ART\u00cdSTICA E T\u00c9CNICA<br \/>\nCria\u00e7\u00e3o <strong>Maria Gil<\/strong> Apoio dramat\u00fargico <strong>Miguel Bonneville<\/strong> Consultadoria hist\u00f3rica <strong>Elisa Silva<\/strong> Opera\u00e7\u00e3o de luz, som e v\u00eddeo <strong>Sabrina Santos<\/strong> Acolhimento <strong>Teatromosca<\/strong> e <strong>Casa de Teatro de Sintra &#8211; Ch\u00e3o de Oliva<\/strong> Comunica\u00e7\u00e3o <strong>Sara Cunha<\/strong> Registo V\u00eddeo e fotogr\u00e1fico <strong>Joana Linda<\/strong> Coprodu\u00e7\u00e3o <strong>Museu Mar\u00edtimo de \u00cdlhavo\/C\u00e2mara Municipal de \u00cdlhavo, C\u00e2mara Municipal de Peniche, C\u00e2mara Municipal da Murtosa<\/strong> Produ\u00e7\u00e3o <strong>Teatro do Sil\u00eancio<\/strong>\n<p>Projeto cofinanciado pelo FEDER, atrav\u00e9s do Centro 2020 &#8211; integrado no Projeto &#8220;Territ\u00f3rios com Hist\u00f3ria: o Mar, as Pescas e as Comunidades&#8221;<\/p>\n<p>Agradecimentos Tiago Pereira &#8211; A M\u00fasica Portuguesa a Gostar Dela Pr\u00f3pria<\/p>\n<p>O Teatro do Sil\u00eancio \u00e9 uma estrutura apoiada pela Rep\u00fablica Portuguesa-Cultura\/Minist\u00e9rio da Cultura &#8211; Direc\u00e7\u00e3o-Geral das Artes e pela Junta de Freguesia de Carnide.<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"entry-summary\">\n<div class=\"entry-summary\">\nUm espet\u00e1culo intimista e documental, que d\u00e1 voz \u00e0s mulheres, contribuindo para a valorizar o papel das mulheres na economia do mar.\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2089,"template":"","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"project_category":[163,109,47,162],"project_tag":[160,157],"class_list":["post-2075","wm_projects","type-wm_projects","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","project_category-lisboa","project_category-multidisciplinar","project_category-temporada-2020-2021","project_category-visionarios","project_tag-palestra-performance","project_tag-teatro","entry"],"aioseo_notices":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198.jpg",2400,1600,false],"thumbnail":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-480x270.jpg",480,270,true],"medium":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-744x496.jpg",744,496,true],"medium_large":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-1200x800.jpg",1200,800,true],"large":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-1200x800.jpg",1200,800,true],"1536x1536":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-1536x1024.jpg",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-2048x1365.jpg",2048,1365,true],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198.jpg",18,12,false],"icelander-thumbnail":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-744x372.jpg",744,372,true],"icelander-square":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-448x448.jpg",448,448,true],"icelander-intro":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DSC1198-1920x1080.jpg",1920,1080,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"In\u00eas Arromba","author_link":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/author\/artred_arromba\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um espet\u00e1culo intimista e documental, que d\u00e1 voz \u00e0s mulheres, contribuindo para a valorizar o papel das mulheres na economia do mar.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/wm_projects\/2075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/wm_projects"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/wm_projects"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"project_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/project_category?post=2075"},{"taxonomy":"project_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/pt_pt\/wp-json\/wp\/v2\/project_tag?post=2075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}