{"id":4400,"date":"2025-06-28T10:22:44","date_gmt":"2025-06-28T10:22:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.artemrede.pt\/?p=4400"},"modified":"2025-06-28T10:32:38","modified_gmt":"2025-06-28T10:32:38","slug":"futuro-da-artemrede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/2025\/06\/28\/futuro-da-artemrede\/","title":{"rendered":"O futuro da Artemrede e os desafios das pol\u00edticas culturais democr\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<h1>\n\t\tO futuro da Artemrede e os desafios das pol\u00edticas culturais democr\u00e1ticas\n\t<\/h1>\n<h5>\n\t\tV\u00e2nia Rodrigues\n\t<\/h5>\n\t<p>Texto originalmente lido em Cultura e Democracia, evento do vig\u00e9simo\u00a0 anivers\u00e1rio da Artemrede, em Mar\u00e7o 2025<\/p>\n<hr class=\"wm-divider type-line\" \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-scaled.jpg\" alt=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-310\" itemprop=\"image\" height=\"1707\" width=\"2560\" title=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-310\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n\t<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Introduzir o fim<\/b><\/p>\n<p>As pessoas que, nestas ocasi\u00f5es, falam no final, enfrentam um desafio particular, uma tenta\u00e7\u00e3o e uma maldi\u00e7\u00e3o. Devem, por um lado, evitar a tenta\u00e7\u00e3o da <i>\u00faltima palavra<\/i>, pondo-se muito s\u00e9rias, sobrepondo-se sobranceiramente ao que ficou dito antes; e t\u00eam, por outro, de encontrar modo de n\u00e3o sucumbir \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o da redund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A tarefa de celebrar<\/h3>\nO exerc\u00edcio a que me propus foi o de cruzar o que fui escutando hoje com a leitura que fiz do Plano Estrat\u00e9gico 2025-2027 da Artemrede e da Carta de Compromisso que o acompanha, e com o meu pr\u00f3prio trabalho e investiga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDesta vez, ao contr\u00e1rio de h\u00e1 dez anos, estive afastada deste exerc\u00edcio, mas tenho bem vivas as mem\u00f3rias deste percurso que fui acompanhando de diferentes modos (com menos proximidade nos anos mais recentes), e \u00e9 a esse estatuto de velha amiga que recorro hoje para partilhar um conjunto de reflex\u00f5es e, ao mesmo tempo, assinalar alguns desafios e arriscar um ou outro conselho. Em modo de celebra\u00e7\u00e3o, claro est\u00e1, mas juntando mais responsabilidades \u00e0 &#8216;vida adulta&#8217; da Artemrede. Assinalar os vinte anos da Artemrede tem for\u00e7osamente de ser mais do que fazer o elogio da sua sobreviv\u00eancia. Com certeza, \u00e9 por ter sabido mudar que encontrou sentido em continuar, e \u00e9 por isso que podemos festejar hoje, duas d\u00e9cadas depois. Mas n\u00e3o \u00e9 ponto em que deseje demorar-me: arrisca-se a ser percebido como um previs\u00edvel enc\u00f3mio da &#8216;resili\u00eancia&#8217;, esse palavr\u00e3o-fetiche do neoliberalismo. Interessa-me mais louvar o pr\u00f3prio exerc\u00edcio de planeamento que a Artemrede vem desenvolvendo desde a sua cria\u00e7\u00e3o. Talvez as origens da Artemrede &#8211; gizadas no contexto da CCDRLVT &#8211; lhe tenham conferido uma certa familiaridade com planos, horizontes e metas. Mas n\u00e3o deixa de ser assinal\u00e1vel, no contexto do setor das artes e da cultura portugu\u00eas, que a Artemrede venha desenvolvendo instrumentos de planeamento robustos, publicamente escrutin\u00e1veis &#8211; assumindo compromissos, identificando valores e clarificando op\u00e7\u00f5es. Ao sublinhar esta caracter\u00edstica da Artemrede, note-se, n\u00e3o estou a convidar-vos a admirar a efic\u00e1cia t\u00e9cnica dos indicadores que escolhe, nem a fazer um elogio da accountability. \u00c9 isso, com certeza, mas \u00e9 sobretudo outra coisa, que explicitarei de seguida.\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-311-scaled.jpg\" alt=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-311\" itemprop=\"image\" height=\"2560\" width=\"1707\" title=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-311\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n\t<h3><b>Futuro, democracia<\/b><\/h3>\nDe cada vez que se re\u00fane para planear, e convoca autarcas, gestores culturais e artistas para esse exerc\u00edcio, a Artemrede convida-nos a escolher um futuro, um &#8216;futuro sonh\u00e1vel&#8217;, como escreve a Cl\u00e1udia Galh\u00f3s na introdu\u00e7\u00e3o ao Plano. Ora acontece justamente que essa confian\u00e7a no futuro \u00e9 absolutamente determinante no contexto pol\u00edtico atual, por m\u00faltiplas raz\u00f5es. Por um lado, em tempos de todas as emerg\u00eancias &#8211; ecol\u00f3gicas, sociais, pol\u00edticas &#8211; n\u00e3o ceder ao presentismo tem especial import\u00e2ncia pol\u00edtica. Com efeito, os populismos esfor\u00e7am-se por promover os valores da a\u00e7\u00e3o imediata, por apontar a desadequa\u00e7\u00e3o do lento sistema de corre\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas que \u00e9 a democracia representativa. As for\u00e7as populistas tamb\u00e9m se esfor\u00e7am por convencer-nos que os &#8216;ismos&#8217; de outros tempos (doutrinas de transforma\u00e7\u00e3o social) est\u00e3o definitivamente obsoletos e s\u00e3o hoje incapazes de oferecer respostas que correspondam a horizontes de futuro desej\u00e1veis. Ali\u00e1s, o projeto populista de resolver os problemas &#8216;aqui e agora&#8217;, de deslegitima\u00e7\u00e3o das promessas de futuro n\u00e3o imediatamente alcan\u00e7\u00e1veis \u00e9, na pr\u00e1tica, um projeto de destrui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria democracia, como sabemos.<br \/>\nComo escreveu Jonathan White, &#8220;a democracia como a conhecemos depende da ideia de continua\u00e7\u00e3o, de as coisas n\u00e3o acabarem abruptamente&#8221;. Dependemos do futuro porque \u00e9 nele que projetamos o processo cont\u00ednuo de corre\u00e7\u00e3o dos problemas e das imperfei\u00e7\u00f5es da democracia. Seguindo ainda White, podemos dizer que a democracia funciona no longo prazo.<br \/>\nA confian\u00e7a no futuro, portanto, importa para a pol\u00edtica do presente, pelo que o exerc\u00edcio da Artemrede de projetar o futuro deve ser valorizado por mais do que a sua profici\u00eancia de execu\u00e7\u00e3o ou pela presta\u00e7\u00e3o de contas que possibilita. Hoje, a sua relev\u00e2ncia enquanto instrumento clarificador e orientador das pol\u00edticas culturais locais \u00e9 t\u00e3o significativa quanto o seu alcance pol\u00edtico latu sensu. Trata-se de agir sobre os problemas do presente, sim, mas partilhando um sentido de futuro e confiando no processo para l\u00e1 chegarmos, juntos.<br \/>\nIsto torna-se ainda mais evidente se recordarmos que a Artemrede sempre prop\u00f4s &#8211; e concretizou &#8211; a coopera\u00e7\u00e3o entre espectros pol\u00edticos diferentes. Nesse sentido, a Artemrede sempre foi, e continuar\u00e1 a ser, um projeto algo desconfort\u00e1vel. A quadratura do c\u00edrculo a que se prop\u00f5e &#8211; criando pontes entre conce\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica cultural distintas, entre pr\u00e1ticas de gest\u00e3o cultural em diferentes est\u00e1dios de profissionaliza\u00e7\u00e3o &#8211; cria um espa\u00e7o de coopera\u00e7\u00e3o cheio de descontinuidades e contradi\u00e7\u00f5es, perme\u00e1vel ao ocasional embara\u00e7o, muito diferente da harmonia auto-confirmativa das redes sociais, das peti\u00e7\u00f5es e dos manifestos, em torno dos quais o setor de tempos a tempos se mobiliza. Mas o que \u00e9 uma rede sen\u00e3o um conjunto coeso de buracos?\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-316-scaled.jpg\" alt=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-316\" itemprop=\"image\" height=\"1707\" width=\"2560\" title=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-316\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-317-scaled.jpg\" alt=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-317\" itemprop=\"image\" height=\"1707\" width=\"2560\" title=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-317\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-315-scaled.jpg\" alt=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-315\" itemprop=\"image\" height=\"1707\" width=\"2560\" title=\"20 anos Arte em Rede@Jafuno-315\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Gerir a complexidade<\/b><\/h3>\nTenho para mim que a Artemrede ter\u00e1, cada vez mais, de virar a sua pr\u00e1tica de coopera\u00e7\u00e3o do avesso. J\u00e1 n\u00e3o necessariamente avan\u00e7ando, como costumam fazer as redes, a partir da triangula\u00e7\u00e3o m\u00ednima dos interesses convergentes dos seus membros (no caso da Artemrede, a import\u00e2ncia que todos reconhecem a articula\u00e7\u00e3o cultura, territ\u00f3rios e comunidades), mas antes explorando as suas diferen\u00e7as, e ainda assim propondo um rumo partilhado. Isso passar\u00e1 por responder a perguntas como: quanto \u00e9 que temos de ter em comum? O que \u00e9 que tem mesmo de ser comum e o que \u00e9 que pode ser diferente? Os membros deste projeto coletivo t\u00eam de concordar nos detalhes do futuro que perseguem, ou basta que pensem que concordam? Se partilhar objetivos \u00e9 importante, quanta discord\u00e2ncia acerca do futuro \u00e9 admiss\u00edvel?<br \/>\nA Artemrede j\u00e1 vem experimentando estas pr\u00e1ticas, designadamente implementando projetos de geometria vari\u00e1vel, que n\u00e3o envolvem todos os seus membros, ou ajustando a a\u00e7\u00e3o aos interesses de cada territ\u00f3rio. Mas a exig\u00eancia pode e deve aumentar, passando dessa abordagem &#8211; que, n\u00e3o sendo de modo nenhum tipificada, continua a assentar na identifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 convergente &#8211; para uma abordagem maximalista, que ativamente exponha e explore as diferen\u00e7as entre os territ\u00f3rios, as vis\u00f5es pol\u00edticas, os modelos de gest\u00e3o cultural que nela se encontram. Isto porque as formas, ganhos e raz\u00f5es para estar numa rede e atuar em rede j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o apenas ou maioritariamente relacionadas com identificar coliga\u00e7\u00f5es de interesses. Essa \u00e9, claramente, uma caracter\u00edstica que combate a fragmenta\u00e7\u00e3o social. Contudo, hoje \u00e9 igualmente decisivo enfrentar a polariza\u00e7\u00e3o da sociedade. Por isso ser\u00e1 cr\u00edtico em vez de simplificar, atuando a partir do que \u00e9 comum aos seus membros, explorar as diferen\u00e7as internas, e at\u00e9 aument\u00e1-las, como pode acontecer pela via da ades\u00e3o de membros privados fora da esfera aut\u00e1rquica. Isso tornar\u00e1 a Artemrede mais relevante, e ampliar\u00e1 a complementaridade entre redes nacionais e projetos de coopera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPode parecer paradoxal dizer isto acerca de uma rede que atinge os vinte anos, mas julgo que um dos desafios que ter\u00e1 de enfrentar ser\u00e1 o da coordena\u00e7\u00e3o da complexidade, que \u00e9 uma tarefa distinta de coordenar a partir do ponto denominador comum. Bem sei que nos anivers\u00e1rios se recordam as miss\u00f5es fundadoras, e que a Artemrede nasceu para resolver problemas. Mas julgo que agora tem de empenhar-se em cri\u00e1-los. Criar problemas positivos transformando-se progressivamente num projeto gestor da complexidade. \u00c9 necess\u00e1rio e a Artemrede \u00e9 capaz.\n<h3><b>Futuro e poder<\/b><\/h3>\nVoltemos ao futuro, porque \u00e9 nos pr\u00f3prios valores e iniciativas anunciados no Plano Estrat\u00e9gico 2025-2027 que reside o maior contributo da Artemrede para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas culturais de futuro: na explicita\u00e7\u00e3o dos direitos culturais que defende e procurar\u00e1 promover, e na aten\u00e7\u00e3o que presta aos mais vulner\u00e1veis, mencionando &#8220;as mulheres, as crian\u00e7as, as pessoas idosas, as pessoas migrantes, as pessoas racionalizadas, as pessoas com diversidade funcional ou as pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza&#8221;. Nesta aten\u00e7\u00e3o e cuidado &#8211; que n\u00e3o \u00e9 mero exerc\u00edcio ret\u00f3rico, pois correspondem- lhe no documento propostas e a\u00e7\u00f5es concretas &#8211; joga-se algo essencial: o esfor\u00e7o de imaginar futuros que tamb\u00e9m reflitam os interesses das pessoas que t\u00eam menos poder. De facto, a imagem do futuro tende a ser definida pelos que det\u00eam o poder, que nele projetam as suas agendas. Num mundo profundamente desigual, qualquer esfor\u00e7o para democratizar a constru\u00e7\u00e3o do futuro- mesmo que seja &#8216;apenas&#8217; o plano estrat\u00e9gico de um projeto cultural &#8211; \u00e9 digno de nota.<br \/>\nTenho insistido em diversos f\u00f3runs que a gest\u00e3o cultural tem de ser resgatada da esfera tecnocr\u00e1tica, por isso sustento que um plano estrat\u00e9gico pode ser um instrumento ao servi\u00e7o da conquista do &#8216;direito ao imagin\u00e1rio&#8217; a que se referia recentemente o Ant\u00f3nio Brito Guterres.<br \/>\nAl\u00e9m do desafio de coordenar a complexidade, deixo ent\u00e3o mais dois desafios \u00e0 Artemrede, na sequ\u00eancia disto. Por um lado, o desafio a que insista e arrisque num horizonte temporal mais dilatado, n\u00e3o subsumindo o planeamento estrat\u00e9gico a um exerc\u00edcio de planifica\u00e7\u00e3o; e, por outro, desafio-a a incluir de modo mais direto, no pr\u00f3ximo ciclo de planeamento, as vozes e os contributos dos n\u00e3o poderosos, eventualmente a partir do importante estudo de n\u00e3o- p\u00fablicos que ir\u00e1 levar a cabo. Incluir os anseios, necessidades e expectativas dos n\u00e3o poderosos n\u00e3o importa apenas por raz\u00f5es de representatividade: \u00e9 tarefa fundamental para reencontrar a legitimidade do investimento p\u00fablico em cultura.\n\n<h3>Uma hist\u00f3ria da (ir)relev\u00e2ncia<\/h3>\n<p>A legitimidade do investimento p\u00fablico nas artes e na cultura tem origens diversas, mas pode dizer-se que, no mundo ocidental, se sustentou at\u00e9 h\u00e1 relativamente pouco tempo no consenso social forjado no p\u00f3s-II Guerra Mundial, atrav\u00e9s do qual as pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura constitu\u00edram mais uma dimens\u00e3o do Estado social; confundiu-se ali\u00e1s ami\u00fade com a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do Estado-Na\u00e7\u00e3o, que se serviu da cultura como cimento de uma identidade nacional, hoje felizmente objeto de contesta\u00e7\u00e3o e reformula\u00e7\u00e3o. Mesmo nos pa\u00edses em que a cultura como parte do Estado Social n\u00e3o chegou a afirmar-se, esse foi ainda assim durante muito tempo o modelo aspiracional em que as pol\u00edticas culturais emergentes se baseavam.<\/p>\n<p>Em Portugal, a legitimidade do apoio p\u00fablico \u00e0s artes e \u00e0 cultura coincidiu com o processo de moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, e com a sua europeiza\u00e7\u00e3o. Contudo, os tempos em que os desafios de uma democracia emergente como a portuguesa se bastavam nos anseios de &#8220;apanhar o comboio&#8221; e recuperar o atraso j\u00e1 passaram. Pelo caminho, desmontaram-se tamb\u00e9m alguns equ\u00edvocos: o de que a pol\u00edtica cultural seria um agente do progresso, ideia hoje contestada na sua dimens\u00e3o euroc\u00eantrica, linear e universalizante; e o de que a pol\u00edtica cultural se justificaria enquanto pol\u00edtica quasi-industrial, de regula\u00e7\u00e3o das falhas do mercado e de cria\u00e7\u00e3o de emprego. Acerca disto diz-nos Justin O&#8217; Connor que &#8220;justamente quando o projeto cultural do Estado moderno se dissolveu, a resposta dominante foi reposicionar a cultura como parte da economia de consumo&#8221; e nesse contexto fomos permitindo que a cultura se justificasse pelos seus impactos e externalidades. Ainda n\u00e3o sa\u00edmos totalmente desse paradigma empobrecedor, mesmo que a linguagem se v\u00e1 atualizando. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante observar como a Artemrede se compromete com os processos e os efeitos sociais, comunit\u00e1rios e territoriais da sua a\u00e7\u00e3o, <i>ao mesmo tempo <\/i>que cuida das condi\u00e7\u00f5es objetivas em que os processos criativos operam, designadamente atribuindo-lhes recursos e tempo adequados.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o ser\u00e1 apenas nessa aten\u00e7\u00e3o aos modos de fazer que se joga a relev\u00e2ncia e o potencial sucesso do seu plano estrat\u00e9gico. Nas diversas iniciativas que prop\u00f5e, do F\u00f3rum Pol\u00edtico, \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o de equipas e eleitos, \u00e0s Caravanas e aos Dias Abertos, est\u00e1 contida a possibilidade de se constitu\u00edrem como construtores dessa renovada legitimidade pol\u00edtica de que o setor da cultura necessita.<\/p>\n<p>Sejamos claros: n\u00e3o ser\u00e3o suficientes os precedentes administrativos que a institucionaliza\u00e7\u00e3o da cultura foi gerando, j\u00e1 que \u00e9 evidente, hoje, a progressiva marginaliza\u00e7\u00e3o da cultura na pol\u00edtica nacional e global.<\/p>\n<p>Basta recordarmos o rotundo falhan\u00e7o da campanha de 2015 para fazer da cultura o 18\u00ba Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas. H\u00e1 quem conteste este anseio do setor cultural &#8211; isso \u00e9 temapara outro momento &#8211; mas \u00e9 ineg\u00e1vel que essa derrota exp\u00f4s a tibieza da narrativa em que a campanha se sustentava: uma conce\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica da cultura que, sendo tudo, n\u00e3o era nada; uma exalta\u00e7\u00e3o das capacidades da cultura enquanto geradora de empregos qualificados na economia criativa e do conhecimento; e uma cren\u00e7a desmesurada no poder de transforma\u00e7\u00e3o social da a\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica. Enfim, o pr\u00e9mio de consola\u00e7\u00e3o ter\u00e1 sido reconhecimento da &#8216;transversalidade&#8217; da cultura. Fraco consolo, diria eu.<\/p>\n<p>Essa \u00e9, portanto, uma tarefa inilud\u00edvel que se associa a este ciclo de planeamento da Artemrede: o de contribuir para o processo de relegitima\u00e7\u00e3o da cultura e das pol\u00edticas culturais, fundado no ideal de cultura como direito humano, sim, mas que n\u00e3o seja inocente e se perca no romantismo e na abstra\u00e7\u00e3o; que saiba defender o legado e atualizar o prop\u00f3sito e o funcionamento da infraestrutura cultural existente.<\/p>\n<p>Nesse processo, pode ser \u00fatil exigir mais dos seus membros, instando-os a aprofundar os seus entendimentos de pol\u00edtica cultural, e a interrogar a forma como v\u00eam fazendo as coisas. Pode ser \u00fatil perceber se a todo o momento est\u00e3o investidos nos diferentes pap\u00e9is que a cultura pode assumir e n\u00e3o apenas num deles.<\/p>\n<p>Segundo Amayrta Sem, a cultura desempenha 3 pap\u00e9is. Um papel <i>constitutivo<\/i>, que podemos dizer ser relativo aos direitos, \u00e0 infraestrutura e ao ecossistema; um papel <i>avaliativo<\/i>, relacionado com valores e debates; e um papel <i>instrumental<\/i>, que tenha em conta os seus efeitos. Talvez valha a pena afirmar melhor estas tr\u00eas dimens\u00f5es da pol\u00edtica cultural, e garantir meios de as manter s\u00f3lidas e conectadas, antes de nos deslumbrarmos em demasia com as virtudes da transversalidade.<\/p>\n<p>Estou segura de que a Artemrede \u00e9 um dos projetos que tem capacidade para atualizar esta reflex\u00e3o acerca dos fundamentos da pol\u00edtica da cultura como pol\u00edtica p\u00fablica, porque no caminho que j\u00e1 percorreu e naquele que desenha agora para a frente soube incorporar muta\u00e7\u00f5es sens\u00edveis: i) n\u00e3o descuidou o di\u00e1logo com as pr\u00e1ticas e as discursividades art\u00edsticas contempor\u00e2neas, e por isso conta com tantos e t\u00e3o diversos artistas como c\u00famplices; ii) nunca desistiu de promover a forma\u00e7\u00e3o, o pensamento cr\u00edtico e o desenvolvimento profissional dos agentes que implica; iii) compreendeu a centralidade dos processos de media\u00e7\u00e3o para os seus objetivos de desenvolvimento cultural e comunit\u00e1rio, sem os dissolver em abordagens de arte participativa &#8216;pronto-a-comer&#8217; e sem hipotecar a qualidade dos processos; iv) soube identificar o desafio da internacionaliza\u00e7\u00e3o adaptando inventivamente os financiamentos dispon\u00edveis \u00e0s necessidades concretas dos territ\u00f3rios, criando renovadas cumplicidades profissionais, e resistindo \u00e0 &#8216;projectifica\u00e7\u00e3o&#8217; desenfreada a que a competi\u00e7\u00e3o por financiamento europeu n\u00e3o raras vezes induz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Perto da nossa fantasia<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Artemrede \u00e9 um projeto profundamente atual. Parece-me que mesmo algumas caracter\u00edsticas do seu projeto de coopera\u00e7\u00e3o que podem parecer mais ultrapassadas, como a circula\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos, voltam hoje a ser importantes, j\u00e1 n\u00e3o se justificando somente por raz\u00f5es de acesso ou por raz\u00f5es de escala, mas tornando-se elementos fundamentais de uma estrat\u00e9gia de prolongamento da vida dos espet\u00e1culos, valorizando as carreiras dos artistas, t\u00e9cnicos e produtores, produzindo em condi\u00e7\u00f5es de maior sustentabilidade ambiental e social, combatendo estrat\u00e9gias exclusivistas de programa\u00e7\u00e3o e oferecendo resist\u00eancia ao regime aceleracionista de cont\u00ednua produ\u00e7\u00e3o do novo.<\/p>\n<p>As apar\u00eancias iludem. S\u00e3o as pol\u00edticas centrais de cultura que precisam da Artemrede, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Sem for\u00e7as coletivas organizadas, nenhuma pol\u00edtica cultural &#8211; menos ainda uma, como a nossa, t\u00e3o debilmente dotada de meios&#8230;.. &#8211; sem for\u00e7as coletivas profissionalizadas e cr\u00edticas, as pol\u00edticas culturais resvalam para a tecnocracia, especializando-se em distribuir recursos escassos.<\/p>\n<p>A Artemrede, como outros projetos coletivos, oferecem uma plataforma segura para os profissionais, cidad\u00e3os e pol\u00edticos porem em di\u00e1logo os seus desejos para o futuro.\u00a0 Sem esses espa\u00e7os associativos &#8211; que foram historicamente decisivos em todas as conquistas sociais\u00a0 &#8211; o setor da cultura ceder\u00e1 \u00e0 press\u00e3o individualista, que promete avan\u00e7os pessoais, de caminho privatizando o futuro, e a pol\u00edtica cultural ficar\u00e1 ref\u00e9m de atender a mil demandas particulares.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas culturais precisam de projetos como a Artemrede, porque em tempos de retra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica a resposta s\u00f3 pode ser intensificar a democracia. As pol\u00edticas culturais precisam de projetos como a Artemrede, porque tendem a ser continuistas e falta-lhes imagina\u00e7\u00e3o. Colocam-se quase sempre no horizonte do concretiz\u00e1vel, e temos de ser n\u00f3s a pux\u00e1-las para perto da nossa fantasia. As pol\u00edticas culturais resmungam, mas sabem que precisam de ser incomodadas, para ultrapassarem a fronteira espessa do previs\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>M\u00e9tricas do imagin\u00e1vel<\/h3>\n<p>Se correrem bem, os exerc\u00edcios de planeamento tendem a tornar-se mais previs\u00edveis. Os relativos sucessos do plano anterior alimentam o seguinte, refor\u00e7ando as suas certezas. Isso traduz-se em cada vez mais confian\u00e7a em avan\u00e7ar metas e indicadores.<\/p>\n<p>Vejo isso claramente no actual exerc\u00edcio de planeamento estrat\u00e9gico da Artemrede. Percebo bem a necessidade de definir prazos e metas &#8211; eles sinalizam uma necessidade e ajudam a coordenar a a\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 tanto mais relevante no contexto de uma rede. Tamb\u00e9m fornecem um referencial de a\u00e7\u00e3o que empresta credibilidade ao exerc\u00edcio de planear o futuro. Por isso mesmo, e bem, um plano estrat\u00e9gico tem de concretizar-se em algum tipo de m\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Mas conv\u00e9m colocarmos esse esfor\u00e7o de parametriza\u00e7\u00e3o em contexto: quando a Artemrede come\u00e7ou a produzir indicadores e outras formas de organizar e comunicar publicamente a sua a\u00e7\u00e3o, poucos no setor cultural o faziam. Hoje, o setor est\u00e1 demasiado alinhado com o cumprimento de metas e torna-se necess\u00e1rio pensar criticamente acerca da sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tenho refletido e escrito bastante acerca disto no contexto do encontro entre as artes e emerg\u00eancia ecol\u00f3gica, e parece-me que essas reflex\u00f5es podem ser \u00fateis tamb\u00e9m aqui. Mesmo no campo mais restrito do debate acerca das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, por exemplo, tendo a alinhar com vozes minorit\u00e1rias e algo controversas que chamam a nossa aten\u00e7\u00e3o para o facto de mesmo as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u00a0 &#8211; a mais profunda das amea\u00e7as &#8211; tenderem a ser transformadas, nos c\u00edrculos de decis\u00e3o pol\u00edtica, num problema de <i>c\u00e1lculo<\/i>. Isso \u00e9 discern\u00edvel nas metas e prazos invocados. Ao fazer das emiss\u00f5es zero em carbono um objetivo primordial, os poderes p\u00fablicos marginalizam uma s\u00e9rie de outras considera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o menos relevantes para o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. Com uma agravante: ao sublinharem um conjunto particular de vari\u00e1veis num horizonte temporal limitado, os objetivos e os prazos convidam-nos a pensar mais no futuro pr\u00f3ximo, assoberbado de especificidades, e menos acerca do horizonte mais distante e dos objetivos mais gerais e incalcul\u00e1veis a ele associados. Ou seja, aumentam a previsibilidade do arco das nossas a\u00e7\u00f5es, mantendo-as dentro dos limites do concretiz\u00e1vel. Nesse sentido, dar demasiada import\u00e2ncia aos instrumentos de planeamento pode ser uma forma de manter o setor cultural disciplinado e paradoxalmente distra\u00eddo do essencial.<\/p>\n<p>A obsess\u00e3o com os c\u00e1lculos &#8211; das emiss\u00f5es de carbono, dos impactos sociais &#8211; estimula um foco <i>nas coisas que se prestam \u00e0 medi\u00e7\u00e3o<\/i>, e faz com que destinemos tempo e recursos escassos ao aprimoramento das ferramentas de medi\u00e7\u00e3o e \u00e0 obten\u00e7\u00e3o dos resultados que estamos a monitorizar. No dom\u00ednio do ambiente, esse foco levanta quest\u00f5es de escala e de compreens\u00e3o sist\u00e9mica relevantes, mas no contexto que aqui nos re\u00fane chamaria sobretudo a aten\u00e7\u00e3o para o risco que o foco excessivo nas m\u00e9tricas acarreta, do ponto de vista da imagina\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Proponho mesmo que por cada objetivo &#8216;SMART&#8217;, Specific, Measurable, Attainable, Realistic and Time-bound, se estabele\u00e7a a tamb\u00e9m um objetivo STUPID: Stratospheric, Stupendous; Towering, Transcendent, Unimaginable, Unreasonable, Poetic, Ilegal, Immoderate, Inspiring, Disproportionate. (Fica aqui o meu contributo para animar o mundo dos powerpoints desenxabidos&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A nossa impaci\u00eancia organizada<\/h3>\n<p>Temos hoje que estar mais conscientes do perigo da ordem tecno-optimista, que procura esconder a profundidade da incerteza abissal da \u00e9poca em que vivemos com fa\u00e7anhas do dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e de manuten\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio racional da humanidade sobre a natureza. O espa\u00e7o da imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo pelo esfor\u00e7o da redu\u00e7\u00e3o da incerteza, pelo estabelecimento de objetivos mensur\u00e1veis. H\u00e1 m\u00e9rito, tamb\u00e9m, em tra\u00e7ar objetivos irrealistas &#8211; o que \u00e9 diferente de irrealiz\u00e1veis. Dizia esta semana Judith Butler:<\/p>\n<p><em>&#8220;Contra os chamados realistas que nos dir\u00e3o que tudo est\u00e1 a ser destru\u00eddo e que s\u00f3 os tontos pensam que a destrui\u00e7\u00e3o pode ser travada, temos de transformar-nos em tontos inteligentes. E n\u00e3o ter vergonha de ser tonto. Dizer a um conjunto de pessoas que podemos imaginar juntos e produzir um movimento massivo de resist\u00eancia &#8211; sou uma tonta ao dizer isso. \u00d3timo. Porque isso significa que n\u00e3o fiz as pazes com a realidade. Porque haver\u00edamos de faz\u00ea-lo? A realidade ainda est\u00e1 por transformar. N\u00e3o se adaptem \u00e0 realidade. Sejam inteligentes, sejam estrat\u00e9gicos, mas n\u00e3o se adaptem \u00e0 realidade como ela \u00e9. Por outras palavras, n\u00e3o acreditem que este mundo, tal como existe, \u00e9 o \u00fanico poss\u00edvel.&#8221; (tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/em><\/p>\n<p>Recordemos as li\u00e7\u00f5es da fragiliza\u00e7\u00e3o progressiva da cultura: \u00e9 a nossa capacidade de <i>especular<\/i> e n\u00e3o de medir, de <i>transformar<\/i> e n\u00e3o de prever, e de <i>desestabilizar<\/i> e n\u00e3o de controlar, que corresponde ao essencial dos nossos contributos e s\u00e3o essas tarefas que podem defender a irredut\u00edvel necessidade social da arte e da cultura. Com certeza, a Artemrede saber\u00e1 equilibrar a necessidade de calcular, medir e avaliar com a import\u00e2ncia de arriscar e experimentar. No trabalho de implementa\u00e7\u00e3o que agora come\u00e7a, conv\u00e9m n\u00e3o perder de vista a ideia de que um plano estrat\u00e9gico s\u00f3 ganha capacidade de organizar a a\u00e7\u00e3o depois de lhe atribuir um sentido. Assim, o \u00faltimo desafio que deixo \u00e0 Artemrede \u00e9 que, mesmo considerando os prazos que j\u00e1 definiu, e respeitando a interven\u00e7\u00e3o duracional que sabiamente defende, <i>tenha pressa<\/i>. Que ponha pressa no desejo de transforma\u00e7\u00e3o social que o plano estrat\u00e9gico denota. Que cultive uma esp\u00e9cie de <i>impaci\u00eancia organizada<\/i>, que seria a minha defini\u00e7\u00e3o pessoal de plano estrat\u00e9gico. Ningu\u00e9m expressou melhor impaci\u00eancia do que James Baldwin, por isso termino com ele:<\/p>\n<p>&#8220;Querem que me reconcilie com o qu\u00ea? Nasci aqui h\u00e1 quase 60 anos. N\u00e3o vou viver mais 60 anos. Voc\u00eas sempre me disseram que demora tempo. Demorou o tempo do meu pai, o tempo da minha m\u00e3e, o tempo do meu tio, o tempo dos meus irm\u00e3os e irm\u00e3s, das minhas sobrinhas e sobrinhos. Quanto tempo mais querem para o vosso progresso?&#8221;<\/p>\n<p>V\u00e2nia Rodrigues<\/p>\n<p>Mar\u00e7o 2025<\/p>\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/plugins\/beaver-builder-lite-version\/img\/pixel.png\" alt=\"\" itemprop=\"image\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"entry-summary\">\n<div class=\"entry-summary\">\nEm Mar\u00e7o 2025 celebr\u00e1mos os 20 anos da Artemrede numa grande festa no Montijo. Junt\u00e1mos amigos, colegas, fizemos brindes, demos abra\u00e7os, sorrimos muito e, pelo meio, fomos trocando algumas ideias sobre o que nos re\u00fane nesta casa imensa a que chamamos cultura. A V\u00e2nia Rodrigues (a quem coube encerrar o evento) relembra-nos que o desafio futuro ser\u00e1, mais do que encontrar o que temos em comum, saber gerir a diferen\u00e7a e coordenar a complexidade. Estas s\u00e3o as suas palavras.\n<\/div>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/2025\/06\/28\/futuro-da-artemrede\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &ldquo;O futuro da Artemrede e os desafios das pol\u00edticas culturais democr\u00e1ticas&rdquo;<\/span>&hellip;<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/2025\/06\/28\/futuro-da-artemrede\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &ldquo;O futuro da Artemrede e os desafios das pol\u00edticas culturais democr\u00e1ticas&rdquo;<\/span>&hellip;<\/a><\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":4401,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"templates\/no-intro.php","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[102,1],"tags":[],"class_list":["post-4400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-institucional","category-sem-categoria","entry"],"aioseo_notices":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-scaled.jpg",2560,1707,false],"thumbnail":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-480x270.jpg",480,270,true],"medium":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-744x496.jpg",744,496,true],"medium_large":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-1200x800.jpg",1200,800,true],"large":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-1200x800.jpg",1200,800,true],"1536x1536":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-1536x1024.jpg",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-2048x1365.jpg",2048,1365,true],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-18x12.jpg",18,12,true],"icelander-thumbnail":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-744x372.jpg",744,372,true],"icelander-square":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-448x448.jpg",448,448,true],"icelander-intro":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/20-anos-Arte-em-Rede@Jafuno-310-1920x1080.jpg",1920,1080,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"Bruno Castro","author_link":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/author\/artred_bruno\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em Mar\u00e7o 2025 celebr\u00e1mos os 20 anos da Artemrede numa grande festa no Montijo. 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