{"id":3839,"date":"2024-04-08T13:29:43","date_gmt":"2024-04-08T13:29:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.artemrede.pt\/?p=3839"},"modified":"2024-04-08T16:23:18","modified_gmt":"2024-04-08T16:23:18","slug":"como-podem-a-cultura-e-as-artes-recuperar-e-reafirmar-valores-de-solidariedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/2024\/04\/08\/como-podem-a-cultura-e-as-artes-recuperar-e-reafirmar-valores-de-solidariedade\/","title":{"rendered":"Como podem a cultura e as artes recuperar e reafirmar valores de solidariedade?"},"content":{"rendered":"<h1>\n\t\tComo podem a cultura e as artes recuperar e reafirmar valores de solidariedade?\n\t<\/h1>\n<h2>\n\t\tEstrat\u00e9gia e a\u00e7\u00e3o de uma rede de munic\u00edpios\n\t<\/h2>\n<h5>\n\t\tMarta Martins (Diretora-Executiva da Artemrede)\n\t<\/h5>\n\t<p>Texto originalmente publicado em <em><a href=\"https:\/\/www.bloomsburycollections.com\/monograph?docid=b-9781350359499\">The Handbook of Cultural Work<\/a>, <\/em>a convite da Funda\u00e7\u00e3o Onassis Stegi.\u00a0<\/p>\n<hr class=\"wm-divider type-line\" \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173.jpg\" alt=\"20210603 MM063 cred_VeraMarmelo 899x1349\" itemprop=\"image\" height=\"739\" width=\"899\" title=\"20210603 MM063 cred_VeraMarmelo 899x1349\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n\t<em>&#8216;A verdade n\u00e3o pode ser o motivo \u00e9tico das nossas escolhas &#8211; apenas a solidariedade pode s\u00ea-lo&#8217;<br \/>\n<\/em>Franco Berardi\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n<h3><b>Um passo ousado: a participa\u00e7\u00e3o enquanto prioridade estrat\u00e9gica da Artemrede<\/b><\/h3>\n<p>Em 2015, depois de um amplo processo de reflex\u00e3o estrat\u00e9gica, envolvendo m\u00faltiplos atores e debatendo sob diferentes lentes o futuro da Associa\u00e7\u00e3o, a Artemrede deu um passo ousado para uma rede de caracter\u00edsticas semip\u00fablicas, composta por mais de uma dezena de munic\u00edpios (17 em 2022) num territ\u00f3rio diverso, extenso e assim\u00e9trico. No seu Plano Estrat\u00e9gico e Operacional 2015-2020, a Artemrede deixa de se definir como uma rede de teatros, focada na circula\u00e7\u00e3o, para se afirmar como um projeto de coopera\u00e7\u00e3o cultural tendo em vista o desenvolvimento dos territ\u00f3rios e das comunidades. Isto significou, entre tantas outras coisas, que o foco da atividade da Artemrede passou a estar na cria\u00e7\u00e3o de projetos de longa dura\u00e7\u00e3o, constru\u00eddos a partir dos diversos contextos locais e promovendo a participa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es. Uma das prioridades estrat\u00e9gicas da rede passa a ser &#8216;Refor\u00e7ar os la\u00e7os da cultura e das artes com o territ\u00f3rio e a popula\u00e7\u00e3o&#8217;, o que significa, citando o dito Plano:<\/p>\n<p><em>&#8220;A Artemrede considera que as artes e a cultura t\u00eam um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o da cidade e da cidadania, no refor\u00e7o do sentimento de perten\u00e7a \u00e0s comunidades e na promo\u00e7\u00e3o do bem-estar-social. (..) \u00e9 essencial encarar a programa\u00e7\u00e3o cultural na perspetiva da media\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se bastando na rela\u00e7\u00e3o artista-p\u00fablico e no mero acolhimento de propostas art\u00edsticas. (&#8230;) Neste sentido, a Artemrede elege como prioridade, na \u00e1rea da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, a produ\u00e7\u00e3o de projetos comunit\u00e1rios ou que tenham uma efetiva interven\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios. (&#8230;) Esta escolha representa uma aposta na participa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es na vida cultural como elemento indissoci\u00e1vel de constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica e pr\u00f3spera (..). Revela tamb\u00e9m a convic\u00e7\u00e3o da Artemrede no potencial transversal da cultura, na capacidade que esta tem de apelar a identidades e de recorrer a emo\u00e7\u00f5es para construir comunidades, ainda que tempor\u00e1rias, e de recuperar sentimentos de perten\u00e7a e de identifica\u00e7\u00e3o com o(s)Outro(s).&#8221;<\/em> (Martins, 2015)<\/p>\nEste novo posicionamento da rede foi profundamente debatido internamente, entre programadores, t\u00e9cnicos e decisores pol\u00edticos. Enfrentaram-se resist\u00eancias de ordem t\u00e9cnica &#8211; equipas pouco preparadas, reduzidas e desmotivadas &#8211; e pol\u00edtica &#8211; diferentes vis\u00f5es sobre a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e relut\u00e2ncia no investimento de recursos. Foi, assim, um ato arriscado de uma rede acabada de sair de uma crise financeira, sujeita a processos de decis\u00e3o lentos e influenciada por calend\u00e1rios e mudan\u00e7as eleitorais.<br \/>\nNo entanto, este passo revelou uma cren\u00e7a no potencial das pr\u00e1ticas art\u00edsticas participativas, n\u00e3o apenas na cria\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos culturais, mas na promo\u00e7\u00e3o de uma certa coes\u00e3o social:\n<p><em>&#8220;A Artemrede est\u00e1 consciente de que n\u00e3o cabe \u00e0s institui\u00e7\u00f5es culturais a resolu\u00e7\u00e3o de problemas estruturais da sociedade. Problemas como a exclus\u00e3o social n\u00e3o terminam ap\u00f3s bem-sucedidos projetos art\u00edsticos de envolvimento comunit\u00e1rio e estes n\u00e3o podem cair na tenta\u00e7\u00e3o de criar essa expectativa. No entanto, a Artemrede acredita que podem ser determinantes na constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio social e cultural que propicia a cria\u00e7\u00e3o de pontes e estimula o pensamento, contribuindo desta forma para uma sociedade democr\u00e1tica e inclusiva.&#8221;<\/em> (Martins, 2015)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>A cultura faz mal?<\/b><\/h3>\n<p>Um estudo recente em Portugal revelou aquilo que j\u00e1 todos empiricamente sab\u00edamos: a cultura, a frui\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o culturais s\u00e3o espa\u00e7os de privil\u00e9gio. Apenas os mais privilegiados &#8211; no que respeita \u00e0 classe, ao capital escolar e ao contexto sociogeogr\u00e1fico &#8211; participam ou consomem regulamente cultura (e mesmo estes em percentagens m\u00ednimas). O Inqu\u00e9rito \u00e0s Pr\u00e1ticas Culturais dos Portugueses, realizado em 2020 sob encomenda da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian ao Instituto de Ci\u00eancias Sociais (Pais, 2022) tra\u00e7a um cen\u00e1rio avassalador: 61% dos inquiridos n\u00e3o leram nenhum livro impresso em 2020, apenas 28% frequentaram museus no ano anterior ao in\u00edcio da pandemia, 13% foram ao teatro, 6% viram um concerto de m\u00fasica cl\u00e1ssica. Por outro lado, 38% frequentaram festas e festivais locais. Analisando os perfis dos inquiridos que frequentam pr\u00e1ticas culturais, os dados revelam as assimetrias sociais no acesso \u00e0 cultura em Portugal. S\u00e3o, na sua maioria, pessoas com maior capacidade econ\u00f3mica, capital escolar e provenientes de um contexto familiar que favorece os h\u00e1bitos culturais desde a inf\u00e2ncia. Esta realidade n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfica de Portugal. No Reino Unido, no livro <em>&#8216;Culture is bad for you&#8217;<\/em> (Brook, 2020), os investigadores Orian Brook, Dave O&#8217;Brien e Mark Taylor demonstram que a cultura est\u00e1 estritamente relacionada com a desigualdade social. Apresentam dados que revelam que a cultura \u00e9 um privil\u00e9gio de alguns e o seu consumo acentua esse mesmo privil\u00e9gio ao refor\u00e7ar o capital cultural dos seus consumidores \/ praticantes. De acordo com Bourdieu, o capital cultural funciona como um dispositivo de domina\u00e7\u00e3o, que permite aceder a estatuto social e poder. (Brook, 2020) Mas tamb\u00e9m a defini\u00e7\u00e3o de cultura, quem define o que \u00e9 cultura e o que n\u00e3o \u00e9, refor\u00e7a a desigualdade social &#8211; a forma como os inqu\u00e9ritos s\u00e3o constru\u00eddos e o que \u00e9 considerado baixa cultura e alta cultura, participa\u00e7\u00e3o cultural e lazer, atribui valor a determinados consumos e formas de participa\u00e7\u00e3o na cultura, enquanto outros s\u00e3o desvalorizados e exclu\u00eddos. (Brook, 2020) A cultura \u00e9 um instrumento de express\u00e3o, reconhecimento e representa\u00e7\u00e3o social que <em>&#8216;<i data-stringify-type=\"italic\">molda o espa\u00e7o do vis\u00edvel e do invis\u00edvel, do diz\u00edvel e do indiz\u00edvel&#8221;<\/i>\u00a0(Ranci\u00e8re, 2010) &#8211;\u00a0<i data-stringify-type=\"italic\">o alcance pol\u00edtico da cultura \u00e9, portanto, uma quest\u00e3o democr\u00e1tica e pol\u00edtica global<\/i><\/em><em>. <\/em>(Meynard, 2020)<\/p>\n<p>Ambos os estudos demonstram o qu\u00e3o importante \u00e9 o contexto familiar e social na forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos culturais. A participa\u00e7\u00e3o cultural, desde a inf\u00e2ncia, \u00e9 um dos elementos mais importantes na cria\u00e7\u00e3o de espectadores e praticantes e, especialmente, na escolha profissional dos trabalhadores da cultura: <em>&#8216;<i data-stringify-type=\"italic\">As desigualdades no acesso \u00e0 cultura moldam profundamente a forma como os nossos trabalhadores culturais entendem a possibilidade de uma carreira numa profiss\u00e3o cultural.<\/i>\u00a0<i data-stringify-type=\"italic\">Para alguns, sentiam-se totalmente \u00e0 vontade em profiss\u00f5es culturais.<\/i>\u00a0<i data-stringify-type=\"italic\">Para outros, foi uma revela\u00e7\u00e3o mais tarde na vida que a cultura era algo que podiam fazer para ganhar a vida&#8221;.<\/i><\/em>\u00a0(Brook, 2020)<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos fatores econ\u00f3micos, sociais e educativos (em Portugal n\u00e3o h\u00e1 dados de caracteriza\u00e7\u00e3o racial da popula\u00e7\u00e3o), existe um outro que tem sido uma batalha da Artemrede na corre\u00e7\u00e3o das desigualdades no acesso \u00e0 cultura: o fator geogr\u00e1fico. Existem grandes assimetrias territoriais no acesso \u00e0 cultura em Portugal: Lisboa e Porto concentram a grande maioria das institui\u00e7\u00f5es e dos agentes culturais &#8211; 40% em Lisboa, 14% no Porto, segundo dados de 2014 (Garcia, 2014). A democratiza\u00e7\u00e3o cultural, associada \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o, tem sido maioritariamente assegurada pela a\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios, cuja despesa em cultura representa mais de 5% da despesa total dos munic\u00edpios (comparativamente com a despesa do OE para a cultura, que em 2022 representa cerca de 0,3%). Existem, no entanto situa\u00e7\u00f5es muito d\u00edspares e este investimento nem sempre se reflete em pol\u00edticas culturais estruturantes e estrat\u00e9gias delineadas e concertadas.<\/p>\n<p>Mas o acesso a uma oferta cultural diversificada e descentralizada n\u00e3o significa necessariamente apropria\u00e7\u00e3o, envolvimento, interpreta\u00e7\u00e3o. As pol\u00edticas baseadas na democratiza\u00e7\u00e3o cultural falharam porque n\u00e3o basta distribuir a oferta cultural, construir equipamentos e investir em programa\u00e7\u00f5es com mais ou menos atividades educativas. E um capital escolar mais elevado n\u00e3o representa, necessariamente, um fator determinante na forma\u00e7\u00e3o de um consumidor cultural ass\u00edduo (apesar de ser mais favor\u00e1vel, n\u00e3o se revela evidente, como demonstram os dados acima, com n\u00fameros muito baixos de p\u00fablicos de cultura em qualquer n\u00edvel de habilita\u00e7\u00f5es). \u00c9 aqui que a participa\u00e7\u00e3o cultural, enquanto empoderamento e capacita\u00e7\u00e3o das comunidades adquire um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o da democracia cultural. <em>&#8220;Perante a fragilidade atual das democracias, a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 convocada, transversalmente, como uma possibilidade de reinven\u00e7\u00e3o destes sistemas (&#8230;). A necessidade, na atualidade, de imagina\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica para repensar configura\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o convencionais, modos de vida e de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 determinante.&#8221;<\/em> (Cruz, 2021)<\/p>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Credito-Luis-Belo-e1712586074474.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito - Lu\u00eds Belo\" itemprop=\"image\" height=\"675\" width=\"348\" title=\"Cr\u00e9dito - Lu\u00eds Belo\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Mas de que falamos quando falamos de arte participativa?<\/b><\/h3>\n<p>Existem diferentes conce\u00e7\u00f5es e abordagens aos conceitos de arte participativa e arte comunit\u00e1ria, mas usarei aqui a proposta de Fran\u00e7ois Matarasso: <em>&#8216;Arte participativa \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um trabalho art\u00edstico por artistas profissionais com artistas n\u00e3o profissionais.&#8217;<\/em> A primeira carater\u00edstica importante nesta defini\u00e7\u00e3o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um objeto art\u00edstico, sem a qual o projeto se situa na esfera educativa ou social e n\u00e3o no campo da arte. (Matarasso, 2019) A segunda caracter\u00edstica, segundo este autor, \u00e9 a de que todos os envolvidos s\u00e3o artistas, no sentido de que todos fazem arte. E a arte comunit\u00e1ria? Matarasso afirma que as ra\u00edzes da arte participativa encontram-se na arte comunit\u00e1ria e avan\u00e7a com uma defini\u00e7\u00e3o mais complexa para esta \u00faltima:<\/p>\n<p><em>&#8216;A arte comunit\u00e1ria \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de arte como direito humano, com artistas profissionais e n\u00e3o profissionais, que cooperam entre iguais para prop\u00f3sitos e com padr\u00f5es estabelecidos em conjunto, e cujos processos, produtos e resultados n\u00e3o podem ser conhecidos antecipadamente&#8217;<\/em>. (Matarasso, 2019) Apesar de semelhante \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de arte participativa, a arte comunit\u00e1ria prev\u00ea um equil\u00edbrio de poder, em que os pressupostos do trabalho s\u00e3o definidos em conjunto, sem hierarquias e sem um objetivo pr\u00e9-estabelecido. Matarasso situa, assim, a arte comunit\u00e1ria na esfera da democracia cultural, enquanto a arte participativa estaria no campo da democratiza\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Estas defini\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o obviamente complexas e nem sempre \u00e9 claro enquadrar uma determinada pr\u00e1tica na dimens\u00e3o da arte participativa, arte comunit\u00e1ria, desenvolvimento social ou atividade educativa. Na Artemrede j\u00e1 desenvolvemos projetos que facilmente se enquadram numa ou outra categoria e muitos que navegam entre conceitos.<\/p>\n<p>Como cruzam fronteiras &#8211; arte, social, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, urbanismo, etc &#8211; e desafiam pap\u00e9is &#8211; artista, educador, criador, mediador, participante, espectador &#8211; os projetos que assentam na participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os nos processos art\u00edsticos podem ser instrumentos poderosos na constru\u00e7\u00e3o de comunidades mais coesas, democr\u00e1ticas, justas e solid\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM203-cred_VeraMarmelo-1304x869-1.jpg\" alt=\"20210603 MM203 cred_VeraMarmelo 1304x869\" itemprop=\"image\" height=\"869\" width=\"1304\" title=\"20210603 MM203 cred_VeraMarmelo 1304x869\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM050-cred_VeraMarmelo-1560x1040-1.jpg\" alt=\"20210603 MM050 cred_VeraMarmelo 1560x1040\" itemprop=\"image\" height=\"1040\" width=\"1560\" title=\"20210603 MM050 cred_VeraMarmelo 1560x1040\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM035-cred_VeraMarmelo-1497x998-1.jpg\" alt=\"20210603 MM035 cred_VeraMarmelo 1497x998\" itemprop=\"image\" height=\"998\" width=\"1497\" title=\"20210603 MM035 cred_VeraMarmelo 1497x998\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Meio no Meio: uma caminhada de mil passos<\/b><\/h3>\n<p>A Artemrede desempenha um papel de aliado dos munic\u00edpios e, at\u00e9, de propulsor de pol\u00edticas e programas locais. A a\u00e7\u00e3o da Artemrede parte das especificidades dos territ\u00f3rios e das popula\u00e7\u00f5es &#8211; urbanos, suburbanos, rurais, semirrurais, interior, litoral, cidades de pequena, m\u00e9dia e grande dimens\u00e3o, com maior ou menor oferta cultural &#8211; introduzindo elementos como a coopera\u00e7\u00e3o, a aprendizagem interpares e a inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m neste cen\u00e1rio que surgem os projetos participativos e intermunicipais que se focam na capacita\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Meio no Meio foi o segundo projeto desenvolvido pela Artemrede no \u00e2mbito do programa de financiamento PARTIS (Pr\u00e1ticas art\u00edsticas de inclus\u00e3o social) da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian. Com a dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos (2019-2022, estendido seis meses devido a adiamentos provocados pela pandemia COVID-19), o projeto trabalhou com jovens e adultos vulner\u00e1veis dos munic\u00edpios de Almada, Barreiro, Lisboa (Marvila) e Moita. Tratam-se de periferias da cidade de Lisboa, com uma forte presen\u00e7a de popula\u00e7\u00e3o imigrante e de comunidades com diferentes origens e culturas, de baixos rendimentos e com ocorr\u00eancia de comportamentos de risco. S\u00e3o territ\u00f3rios com uma percentagem expressiva de popula\u00e7\u00e3o jovem, com v\u00e1rias problem\u00e1ticas identificadas: desemprego, absentismo e insucesso escolar, doen\u00e7as mentais, consumos de drogas e pequenos delitos criminais, assim como uma elevada percentagem da popula\u00e7\u00e3o adulta sem ocupa\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o projeto prop\u00f4s uma estrat\u00e9gia centrada na forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica, na aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias pessoais, sociais e profissionais e no di\u00e1logo intergeracional. Desenvolvido sobre os alicerces de um projeto anterior nestes territ\u00f3rios (Odisseia), tamb\u00e9m cofinanciado pelo programa PARTIS, Meio no Meio foi estruturado a partir das aprendizagens adquiridas e tendo em vista o impacto que se prop\u00f4s alcan\u00e7ar: <i>Promover instrumentos e h\u00e1bitos de participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o contribuindo para uma comunidade mais solid\u00e1ria e resiliente<\/i>. Sob dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de um core\u00f3grafo de renome &#8211; Victor Hugo Pontes &#8211; e envolvendo outros quatros artistas sedeados nos territ\u00f3rios envolvidos, o projeto promoveu, nos dois primeiros anos, forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica nas disciplinas de dan\u00e7a, teatro, cinema, m\u00fasica hip-hop e artes visuais a 73 participantes (46 jovens e 27 adultos). No terceiro ano, Victor Hugo Pontes selecionou 12 participantes para integrarem o elenco de um espet\u00e1culo dirigido pelo pr\u00f3prio e que envolveu outros artistas profissionais. Real\u00e7o algumas caracter\u00edsticas do projeto que, a meu ver, possibilitaram o seu sucesso:<\/p>\n<ul>\n<li>uma gest\u00e3o robusta e com compet\u00eancias nas \u00e1reas em causa: foram constitu\u00eddas equipas duplas de coordena\u00e7\u00e3o local em cada munic\u00edpio, constitu\u00eddas por t\u00e9cnicas das \u00e1reas cultural e social, para que nenhuma destas dimens\u00f5es fosse descurada num projeto art\u00edstico de inclus\u00e3o social<\/li>\n<li>a media\u00e7\u00e3o entre a comunidade, os artistas, os munic\u00edpios e a Artemrede, atrav\u00e9s de quatro elementos das comunidades locais, dois dos quais participantes do projeto anterior, numa perspetiva de empoderamento e aposta na evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional destes dois jovens<\/li>\n<li>o foco na capacita\u00e7\u00e3o, nomeadamente na aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias atrav\u00e9s de ciclos de forma\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias disciplinas art\u00edsticas com m\u00faltiplos objetivos: promover compet\u00eancias sociais e pessoais como o trabalho em equipa, a autonomia, o sentido cr\u00edtico e a comunica\u00e7\u00e3o; alargar o horizonte de oportunidades de escolha profissional; robustecer o espet\u00e1culo final; consolidar o grupo, fortalecer as rela\u00e7\u00f5es pessoais, facilitando assim a cria\u00e7\u00e3o de redes de amizade e solidariedade, nomeadamente intergeracionais<\/li>\n<li>a exist\u00eancia de Encontros de Partilha anuais, reunindo todos os protagonistas, onde se partilhava o que tinha sido alcan\u00e7ado at\u00e9 ent\u00e3o, eram promovidos exerc\u00edcios que apelavam \u00e0 criatividade e ao conhecimento do outro e din\u00e2micas para em conjunto identificarmos problemas e encontrarmos solu\u00e7\u00f5es<\/li>\n<li>a alian\u00e7a entre profissionais e n\u00e3o profissionais na constitui\u00e7\u00e3o do elenco do espet\u00e1culo final<\/li>\n<li>a dimens\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o, que permitiu avaliar o alcance dos resultados propostos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Este projeto teve um impacto significativo em v\u00e1rios participantes e a comunidade que se criou revelou-se um apoio fundamental em situa\u00e7\u00f5es de fragilidade emocional, nomeadamente durante o isolamento social provocado pelo surto pand\u00e9mico em 2020. A pandemia apanhou o projeto no in\u00edcio do seu segundo ano, quando as rela\u00e7\u00f5es pessoais estavam a fundar-se. O distanciamento abalou o grupo, p\u00f4s a nu situa\u00e7\u00f5es graves de solid\u00e3o e de aus\u00eancia de estrutura econ\u00f3mica e social, colocou em causa o envolvimento dos participantes e obrigou a uma resposta r\u00e1pida e criativa por parte de coordenadores e artistas. A equipa manteve os participantes em contacto atrav\u00e9s de exerc\u00edcios criativos nas plataformas digitais, o que exigiu um acompanhamento personalizado, encontrando solu\u00e7\u00f5es quando o acesso ao digital n\u00e3o era uma possibilidade para alguns. (Lucena, 2021)<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo foi um momento de viragem no projeto e essencial na constru\u00e7\u00e3o dos resultados alcan\u00e7ados. O diretor art\u00edstico, Victor Hugo Pontes, selecionou 12 participantes e 1 mediador para se juntarem a outros 3 int\u00e9rpretes profissionais. O processo de sele\u00e7\u00e3o foi duro e obedeceu a crit\u00e9rios como assiduidade, dedica\u00e7\u00e3o, compet\u00eancias adquiridas, mas tamb\u00e9m diversidade et\u00e1ria: o participante mais novo tinha 18 anos e a mais velha 73.<\/p>\n<p>O processo de resid\u00eancia foi particularmente exigente, num tempo muito curto e sempre sob a amea\u00e7a do v\u00edrus COVID-19. O texto, escrito pela dramaturga Joana Craveiro, partiu de conversas com os participantes, de hist\u00f3rias das suas vidas, de elementos que foi identificando como transversais e sempre presentes: o colonialismo, o racismo, as oportunidades (ou os constrangimentos) no desenho do seu futuro.<\/p>\n<p>Esta estrat\u00e9gia permitiu provocar o debate sobre valores democr\u00e1ticos, confrontar ideias, criar espa\u00e7o e tempo para as v\u00e1rias vozes se ouvirem. A forma\u00e7\u00e3o e os Encontros de Partilha j\u00e1 tinham conseguido questionar alguns preconceitos associados \u00e0 idade, \u00e0 diferen\u00e7a, mas o processo de cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo permitiu aprofundar estes temas e deitar abaixo os \u00faltimos muros.<\/p>\n<p>Para alguns, Meio no Meio foi tamb\u00e9m o in\u00edcio de um percurso profissional que nunca imaginaram ser poss\u00edvel: Benny, 18 anos, do bairro do 2\u00ba torr\u00e3o da Trafaria, confrontava um dos int\u00e9rpretes profissionais, no in\u00edcio da resid\u00eancia: <em>&#8216;mas este \u00e9 o teu trabalho? E pagam-te por isso?&#8217;.<\/em> Trabalhar em algo que d\u00e1 prazer n\u00e3o fazia parte do que imaginava ser o seu futuro.<\/p>\n<p>Meio no Meio, como outro projetos participativos ou comunit\u00e1rios, deixou sementes: por vezes s\u00e3o capazes de mudar a vida de algumas pessoas; na maioria dos casos s\u00e3o momentos de encontro, de di\u00e1logo, de conhecimento, de participa\u00e7\u00e3o num projeto coletivo, elementos que s\u00e3o as bases da democracia: &#8216;Uma caminhada de mil passos come\u00e7a com um, o primeiro&#8217;.<a href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Participa\u00e7\u00e3o e Pol\u00edtica, uma rela\u00e7\u00e3o conturbada<\/b><\/h3>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre participa\u00e7\u00e3o cultural e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, entre cultura e democracia, n\u00e3o \u00e9 linear nem uma f\u00f3rmula m\u00e1gica. (Cruz, 2021) Como j\u00e1 alert\u00e1vamos em 2015, no Plano Estrat\u00e9gico e Operacional, n\u00e3o cabe \u00e0 arte resolver problemas sociais e pol\u00edticos e cair neste discurso simplista \u00e9 uma armadilha da agenda neoliberal e populista. Existe, no entanto, um potencial na arte e nos projetos participativos, de expans\u00e3o de horizontes e de cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de liberdade. <em>&#8220;A liberdade pensada como autonomia do ser que inventa, ressignifica seu tempo e se potencializa como ser, inclusive e sobretudo no pensar, criar e fruir livremente. Esse \u00e9 o campo em que a est\u00e9tica se encontra com a pol\u00edtica, pois contribui para promover as condi\u00e7\u00f5es em que a liberdade \u00e9 um valor, e as artes, uma pot\u00eancia para a vida.&#8221;<\/em> (Porto, 2019)<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o cultural assume diferentes n\u00edveis de engajamento &#8211; <em>Spectating, Enhanced engagement, Crowd sourcing and Co-creation<\/em> (Meynard, 2020) &#8211; que est\u00e3o tamb\u00e9m relacionados com diferentes conce\u00e7\u00f5es da democracia na cultura: democracia cultural e direitos culturais, democratiza\u00e7\u00e3o da cultura, democracia participativa e deliberativa, empoderamento e transforma\u00e7\u00e3o social (Meynard, 2020). Tanto no campo cultural como no pol\u00edtico, a participa\u00e7\u00e3o pode ser limitada, controlada, instrumentalizada por aqueles que det\u00eam o poder de decis\u00e3o. No setor cultural a maioria das pr\u00e1ticas art\u00edsticas participativas situa-se no campo do acesso e n\u00e3o da democracia cultural, na medida em que nem todos t\u00eam igual controlo dos meios de cria\u00e7\u00e3o. A defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 apresentado e valorizado como arte e aquilo que \u00e9 exclu\u00eddo dos espa\u00e7os p\u00fablicos de cultura, est\u00e1 nas m\u00e3os de especialistas, o que contribui para o distanciamento dos cidad\u00e3os face \u00e0s institui\u00e7\u00f5es culturais, como acontece com as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A partilha do poder de decis\u00e3o \u00e9, assim, determinante em processos participativos democr\u00e1ticos, e algo dif\u00edcil de observar tanto no campo cultural como no pol\u00edtico. A qualidade da participa\u00e7\u00e3o \u00e9 aquilo que pode evitar a instrumentaliza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas art\u00edsticas comunit\u00e1rias e criar um espa\u00e7o seguro, equitativo, que estimule a criatividade e contribua para o desenvolvimento pessoal e humano. Para isso, h\u00e1 elementos que devem ser assegurados nestas pr\u00e1ticas: a continuidade, o foco no processo e n\u00e3o tanto no resultado, a diversidade, a reflex\u00e3o, a tomada de decis\u00e3o partilhada, a liga\u00e7\u00e3o ao contexto local e social, a colabora\u00e7\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o clara e flu\u00edda, s\u00e3o alguns dos fatores a ter em conta para assegurar uma participa\u00e7\u00e3o real. (Cruz, 2021). Se a rela\u00e7\u00e3o entre participa\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 direta, podemos avan\u00e7ar que participa\u00e7\u00e3o tem o potencial de gerar participa\u00e7\u00e3o e que os espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica comunit\u00e1ria podem assumir-se como plataformas de experimenta\u00e7\u00e3o de outras formas de fazer arte e pol\u00edtica (Cruz, 2021). <em>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o entre pr\u00e1ticas art\u00edsticas e comunit\u00e1rias e a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica \u00e9 de influ\u00eancia m\u00fatua. (&#8230;) As experi\u00eancias de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica anteriores percecionadas como eficazes e satisfat\u00f3rias (&#8230;) influenciam a integra\u00e7\u00e3o nos grupos de teatro, sendo que as pr\u00e1ticas art\u00edsticas comunit\u00e1rias parecem refor\u00e7ar a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica.&#8221;<\/em> (Cruz, 2021)<\/p>\n<p>Num mundo controlado por governos neoliberais que fomentam a desigualdade, a aliena\u00e7\u00e3o e o individualismo, cabe tamb\u00e9m \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es e aos profissionais culturais serem agentes da mudan\u00e7a. Como? Come\u00e7ando por deixar de perpetuar rela\u00e7\u00f5es hierarquizadas e colocando os cidad\u00e3os no centro das suas a\u00e7\u00f5es. Criando espa\u00e7os democr\u00e1ticos, abertos, plurais, que representem m\u00faltiplas vozes e que n\u00e3o se centrem apenas em edif\u00edcios e programa\u00e7\u00f5es definidas por poucos para poucos. Acreditando que o potencial transformador da cultura e das artes s\u00f3 se materializa quando todos se sentem representados, reconhecidos, ouvidos e empoderados para contribuir e receber.<\/p>\n<p>Marta Martins<\/p>\n<p>Maio 2022<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><sup>\u0002<\/sup> Frase retirada da sinopse do projeto Meio no Meio, promovido pela Artemrede em colabora\u00e7\u00e3o com os Munic\u00edpios de Almada, Barreiro, Lisboa e Moita, a associa\u00e7\u00e3o Nome Pr\u00f3prio e a cooperativa Rumo. Cofinanciado pela Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian. <\/p>\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/plugins\/beaver-builder-lite-version\/img\/pixel.png\" alt=\"\" itemprop=\"image\" onerror=\"this.style.display='none'\"  \/>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"entry-summary\">\n<div class=\"entry-summary\">\nMarta Martins escreve sobre a a\u00e7\u00e3o da Artemrede e sobre arte participativa. &#8220;Existe um potencial na arte e nos projetos participativos, de expans\u00e3o de horizontes e de cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de liberdade&#8221;.\n<\/div>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/2024\/04\/08\/como-podem-a-cultura-e-as-artes-recuperar-e-reafirmar-valores-de-solidariedade\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &ldquo;Como podem a cultura e as artes recuperar e reafirmar valores de solidariedade?&rdquo;<\/span>&hellip;<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/2024\/04\/08\/como-podem-a-cultura-e-as-artes-recuperar-e-reafirmar-valores-de-solidariedade\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &ldquo;Como podem a cultura e as artes recuperar e reafirmar valores de solidariedade?&rdquo;<\/span>&hellip;<\/a><\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":3066,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"templates\/no-intro.php","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[102],"tags":[],"class_list":["post-3839","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-institucional","entry"],"aioseo_notices":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173.jpg",899,739,false],"thumbnail":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173-480x270.jpg",480,270,true],"medium":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173-744x612.jpg",744,612,true],"medium_large":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173.jpg",899,739,false],"large":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173.jpg",899,739,false],"1536x1536":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173.jpg",899,739,false],"2048x2048":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173.jpg",899,739,false],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173-15x12.jpg",15,12,true],"icelander-thumbnail":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173-744x372.jpg",744,372,true],"icelander-square":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-e1712583393173-448x448.jpg",448,448,true],"icelander-intro":["https:\/\/www.artemrede.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/20210603-MM063-cred_VeraMarmelo-899x1349-1-899x1080.jpg",899,1080,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"Bruno Castro","author_link":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/author\/artred_bruno\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Marta Martins escreve sobre a a\u00e7\u00e3o da Artemrede e sobre arte participativa. \"Existe um potencial na arte e nos projetos participativos, de expans\u00e3o de horizontes e de cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de liberdade\". Continue reading &ldquo;Como podem a cultura e as artes recuperar e reafirmar valores de solidariedade?&rdquo;&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3839"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3839\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3855,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3839\/revisions\/3855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.artemrede.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}